Por: Ariston Sal Junior | 09/07/2014

Fernando Moreira, Colunista de O Globo, publicou em sua coluna Page Not Found, o texto que reproduzo abaixo. Se você gosta de futebol, e ficou chocado com a atuação da seleção brasileira diante da Alemanha, vale a leitura.

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Peço licença aos leitores para usar o espaço do blog para falar mais uma vez de Copa do Mundo e me demorar um pouco mais. Afinal de contas, a derrota por 7 a 1 para a Alemanha foi vergonhosa, vexatória, inusitada, irritante, acachapante, pecaminosa, absurda, desavergonhada, indecente, catastrófica e bizarra (se você tiver mais adjetivos, por favor me envie).Menos incompreensível.

Porque não é difícil compreender o vexame. Pensei em sete pontos (graças ao fair play alemão não são oito, nove…) para explicar o que aconteceu não apenas no Mineirão:

1)
 Felipinho (ex-Felipão) é um sujeito arrogante, grosso e ultrapassado. Mesmo após o vexame, o técnico da seleção brasileira disse que não se arrepende de nada. Assumiu a culpa pela derrota, mas, acredito, não passa de um discurso. No seu íntimo, Scolari acha que fez tudo certo, que é um gênio do futebol. A goleada, para ele, foi um momento infeliz da seleção. Deu pane, deu apagão – que viraram sinônimos infelizes para a mediocridade. Felipinho não entende de tática, é apenas um motivador e um chefe de família boleira. Chegou a dizer que, se pudesse, trocaria alguém na seleção. Seria ele mesmo? E, é claro, a CBF tem grande parcela de culpa, afinal levou à seleção um técnico que havia acabado de rebaixar o Palmeiras!

2) O tópico 2 parte exatamente da mediocridade. Esta geração brasileira é absolutamente medíocre. Quando a solução para a seleção, após o jogo contra Camarões, passou a ser o Fernandinho – alçado à categoria de unanimidade nacional – ficou claro que a coisa estava feia. Fernandinho é um jogador comum, como tantos outros. Como comuns – para não dizer coisa mais ácida – são Fred, Jô, Hulk, Bernard, Luiz Gustavo, Hernanes, Henrique, Daniel Alves, Maicon, Dante… Ufa!

3) Os técnicos brazucas vivem reclamando que não têm tempo para treinar os seus jogadores, desenvolver os seus “mirabolantes” esquemas táticos. E, em muitos casos, estão cobertos de razão. O calendário regular é massacrante. Mas essa seleção não pode reclamar de tempo. E não treinou. Vejamos um só exemplo: o Brasil passou no sufoco pelo Chile nas oitavas nos pênaltis. A disputa acabou por volta de 16h de sábado (28/6). Jogou mal, precisava treinar! Mas os atletas foram dispensados e só se reapresentaram na segunda-feira! Para o jogo das quartas contra a Colômbia, na sexta-feira (4/7), Felipinho só comandou um treino! Amigos, um treino! E ainda teve a cara de pau de dizer que não treinou com Bernard, para a partida contra a Alemanha, para despistar o técnico germânico! Mais amador e caricatural impossível! A Granja Comary foi um spa. Apenas isso.

4) A imprensa precisa fazer o mea culpa! Volta e meia transformamos em craque um jogador que acabou de cumprir uma boa temporada. Aconteceu com Paulinho, depois de um ano fantástico no Corinthians. Aconteceu com Dedé, depois de virar “Mito” ao brilhar com a camisa do Vasco em uma temporada contra times de qualidade duvidosa. Mais: não existe um único jogador brasileiro atuando no exterior que seja a cereja do bolo de um time.

5) E aí chegamos a Neymar, sem dúvida o mais talentoso jogador da seleção. Mais um que sofreu exatamente essa overdose da imprensa por suas atuações com a camisa do Santos, detonando equipes desqualificadas do Brasil e da América do Sul. Bastou enfrentar o Barcelona, na final do Mundial Interclubes, para se apagar. A realidade é que Neymar ainda é uma promessa. E pusemos um peso muito grande sobre os ombros de uma promessa, aos prantos em campo. O que ele fez pelo Barcelona na última temporada? O que ele fez pela seleção? Ainda pode fazer, claro, é jovem e tem potencial. Se ele não fizer, será difícil acreditar que algum outro consiga.

6) A fantasia da conquista da Copa das Confederações durou pouco. Ela escondia o que todos teimavam não ver. O vexame passado no Mineirão deu um choque de realidade em todos nós. Não somos os reis da cocada preta. Não somos os melhores do mundo. O “joga bonito” cunhado por reis da mídia e da publicidade é caso grave de Procon! Está decretada a morte desse tal “mágico futebol brasileiro”. O futebol-arte ficou no museu. Empalhado. Empoeirado.

7) As categorias de base dos clubes e da seleção têm formado, na última década, apenas celebridades com carrões, mulheres e cabelos estilosos aos 18 anos. Não treinam fundamentos, não treinam padrões táticos. Mas, paparicados (também pela imprensa), desfilam pela noite como se fossemGarrinchas reencarnados.

Para fechar o desabafo: descanse em paz, Barbosa.