Por: Gabrielle Figueiredo | 2 anos atrás

Segue artigo publicado no blog Link, do Estadão

A Netflix deverá faturar mais de R$ 500 milhões no Brasil neste ano e já conta com mais de 2,5 milhões de usuários brasileiros ativos, segundo informações divulgadas pelo colunista Daniel Castro.

Esses valores representam uma imensa fatia do mercado audiovisual brasileiro. A receita do streaming de filmes e séries já é superior ao que emissoras como Band e RedeTV! — quarto e quinto maiores canais da TV aberta — registram por ano.,

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Os números, aliás, são apenas estimativas moderadas. Não são divulgados faturamento exato ou quantidade de usuários no Brasil — a Netflix apenas diz que tem 65 milhões de clientes no mundo e 23 milhões fora dos EUA. Estimativas feitas a partir monitoramento de logins e downloads de vídeo na internet, porém, indicam que o faturamento pode estar perto de R$ 1 bilhão e o número de assinantes chegando aos 4 milhões. Ou seja, o mesmo que o SBT, a segunda maior emissora aberta do País.

Esse crescimento — cada vez maior e mais acelerado — está assustando e incomodando operadoras de TV a cabo. Donos e representantes dessas empresas já reclamaram que a Netflix paga uma carga menor de impostos, levando vantagem na competição e reduzindo custos em 50%. Algo muito parecido visto com o Uber e os taxistas, recentemente.

ICMS e Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional) são as principais taxas que operadoras de TV por assinatura pagam e a Netflix, por ser um serviço OTT _over-the-top, fica isenta. A economia, segundo empresários da TV paga, poderia chegar a R$ 110 milhões.

Por meio de nota, enviada ao colunista Daniel Castro, a Netflix Brasil diz que “está baseada no Brasil e paga todos os impostos devidos. Sobre a Condecine, aguardamos para trabalhar com a Ancine [Agência Nacional do Cinema] enquanto eles discutem sobre os serviços de VOD e OTT [over-the-top].”

O presidente da ABTA (Associação Brasileira de Televisão por Assinatura), Oscar Simões, por outro lado, disse que a regulamentação da Netflix deve ser igual ao que é visto nos canais por assinatura. “Não temos nada contra a Netflix. Mas apelamos ao governo para que haja uma isonomia tributária.”