Por: Ricardo Daniel Treis | 6 anos atrás

“No filme de Steven Spielberg, ‘E.T’, por que o extraterrestre é marrom? Por razão nenhuma. Em ‘Love Story’, por que os protagonistas se apaixonam perdidamente? Razão nenhuma. Em ‘JFK’, de Oliver Stone, por que o presidente é assassinado de repente por um desconhecido? Nenhuma razão. No excelente ‘Massacre da Serra Elétrica’, de Tobe Hooper, por que nunca vemos os personagens irem ao banheiro, nem lavarem as mãos, com a gente faz na vida real? Por nenhuma razão em absoluto. Pior! Em ‘O Pianista’, de Polanski, como é que esse cara tem que se esconder e viver como um vagabundo se toca piano tão bem? Mais uma vez a resposta é ‘nenhuma razão’. Poderia seguir por horas com mais exemplos. A lista não tem fim. Provavelmente nunca haviam pensado, mas todos os grandes filmes, sem exceção, contêm um importante elemento de ‘nenhuma razão’. E sabem por quê? Porque a própria vida está cheia de ‘nenhuma razão’.”

Isso é da abertura do filme Rubber, aquele um em que um pneu desenvolve consciência e poderes telecinéticos e sai matando todo mundo. Já popular agora por passar no HBO e alguns outros canais de filmes, talvez tenha dado a vocês uma leve noção do universo insano que vive seu diretor, Quentin Dupieux.

Sabendo que o cara tinha um filme novo por chegar, fui procurar o trailer, e deu que encontrei um segundo filme que de tão fresco ninguém eu não estava sabendo ainda.

Olha a linha, o último é Wrong Cops:

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Na trama, o índice de criminalidade em Los Angeles está tão baixo que os policiais da cidade passam o tempo como podem. O nonsense vem em litros.

E o que está por aparecer chama-se apenas Wrong.

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Basicamente, é a história de Dolph Springer, um cara que vive em negação. Perdeu o emprego mas continua indo pro trabalho escondido. Em seu cubículo chove, mas nenhum dos colegas percebe. A palmeira de seu jardim virou um pinheiro. O amor de sua vida é seu cachorro. No fim das contas, seu cão some, e tentando assumir o controle, Dolph parte em busca dele entrando numa jornada pela borda da insanidade.

Típico filme Sessão da Tarde, só que não. Haja espírito pra encarar… Mas afinal, porque buscar razão quando a própria vida está “cheia” de nenhuma dela, certo?