Por: Deivis Chiodini | 3 anos atrás

VITOR

O UFC 187 chega nesse sábado diretamente do MGM Grand Garden Arena em Las Vegas. O card está recheado de astros como Joseph Benavidez, Travis Browne, Andrei Arlovski, Donald Cerrone, entre outros. Na luta principal Daniel Cormier e Anthony Johnson disputam o cinturão que ficou vago após Jon Jones ter seu título extirpado. Mas não temos como negar que para nós brasileiros, o principal atrativo será a luta entre o campeão dos médios Chris Weidman contra o brasileiro Vitor Belfort. Será que o “Fenômeno ” se juntará a Randy Couture e BJ Penn no Hall dos que conseguiram dois cinturões em categorias diferentes no UFC? Ou Weidman confirmará seu recente retrospecto e se consolidará como um aniquilador de brasileiros? Abaixo, um raio X dos dois, para que você possa tirar suas conclusões.

O evento tem transmissão do Canal Combate no sábado, a partir das 19 horas. Se quiser assistir conosco, nós do QG do Por Acaso estaremos no Villa curtindo as emoções, passem por lá!
BIOGRAFIA
O campeão Chris Weidman tem 30 anos e treina na equipe Serra-Longo Fight Team, que é capitaneada pelo ex campeão UFC, Matt Serra. Tem 1,88m de altura e sua envergadura é de aproximadamente 1,98m. Weidman foi do time de wrestling da Hofstra University, sendo terceiro colocado no campeonato nacional em seu último ano de faculdade. Recentemente recebeu a faixa preta de jiu jitsu do mestre Renzo Gracie. Já no MMA, foi campeão do Ring Of Combat, antes de ingressar no UFC. Seu cartel no MMA profissional é de 12 vitórias e nenhuma derrota, sendo 5 por nocaute, 3 por finalização e 4 por decisão. Suas principais vitórias são sobre Mark Munoz, Demian Maia, Lyoto Machida e as duas sobre a lenda Anderson Silva.
Já o carioca Vitor Belfort tem 38 anos e treina na equipe Blackzillians na Flórida. Tem 1,83m de altura e sua envergadura é de 1,88m. Vitor é faixa preta de jiu jitsu do lendário mestre Carlson Gracie. Também é faixa preta de judô e azul de karatê shotokan. Já foi medalhista de bronze no ADCC (2001). Tem um extenso currículo no MMA, competindo desde os seus 19 anos, já tendo passado por todas grandes organizações como UFC, Pride, Affliction, Cage Rage e Strikeforce. Vitor já foi campeão do Cage Rage na categoria meio pesado. No UFC foi campeão do torneio dos pesados no longínquo UFC 12 em 1997 e em 2004 foi campeão dos meio pesados no UFC. Vitor tem um cartel de 24 vitórias e 10 derrotas. Destas vitórias, apenas 4 vieram na decisão, 3 por finalização e incríveis 17 nocautes. Suas principais vítimas foram Wanderlei Silva, Randy Couture, Rich Franklin, Anthony Johnson, Michael Bisping, Luke Rockhold e Dan Henderson.
TROCAÇÃO
Muito se fala da luta agarrada do campeão, mas Weidman tem uma trocação muito boa, refinada por Ray Longo. Potência nas mãos, capazes de nocautear Anderson Silva na primeira luta e manda-lo a knockdown num ganchinho de dentro do clinche na segunda. Dono de boxe de qualidade, ele tem bons chutes e potência para mandar qualquer adversário a vala. Weidman também pode ser criativo usando uma cotovelada em forma de direto contragolpeando como em Mark Muñoz. Além disso, Weidman usa bem sua envergadura, soltando golpes retos para controlar a distância (chutes frontais na linha de cintura), andando pra frente e induzindo seu adversário a atacar, aproveitando assim seu tamanho para contra atacar e fazer o golpe chegar antes, como contra Machida. Nessa mesma luta, ele mostrou seu queixo que ainda não havia sido testado tem força, ao suportar uma saraivada de Machida no quarto round e pedir mais.
Vitor tem 17 nocautes. 17, isso mesmo. Claramente seu ponto forte é a trocação. Ele tem a pegada mais forte da categoria e uma das maiores do MMA. Seus socos são precisos, velozes e capazes de mandar um rinoceronte para cama. Seu boxe é fluído, com boas sequências em movimento, que terminam em cruzados ou upper versão tornado. Vitor costuma caçar seus oponentes pelo octógono, andando para frente, mas com boa fluidez, pendulando, usando bem o jab, para entrar no tempo certo. Se antes usava basicamente as mãos, ele incrementou seu jogo com chutes potentes de todas posições, que mandaram para o chão Bisping, Rockhold (esse com rodado impecável no queixo) e Hendo. Cabe a Vitor ter cuidado com os chutes baixos e no corpo, pois contra um wrestling isso pode ser determinante para se tomar uma queda. Seu queixo é duro e nesse tempo todo, ele só foi nocauteado de pé por aquele frontal de Anderson Silva, o que não é nenhum demérito.
LUTA AGARRADA
Chegamos ao ponto aonde o campeão se destaca. O que o torna diferenciado é sua capacidade de grudar nos oponentes e derrubá-los, seja do clinche, usando quedas acinturadas ou com doubles e single legs projetando seu oponente ao solo. Ele quedou Lyoto Machida, um conhecido defensor de quedas, por 5 vezes. Wrestlers como Mark Muñoz foram quedados com facilidade. No chão, o terror continua. Tom Lawlor, faixa preta foi colocado pra dormir num triângulo de mão. O controle posicional é arma fundamental, com ground and pound avassalador e ataques para finalizações perigosas. Passar a guarda, montar, mochilar parecem coisas fáceis para ele. Nem um ás como Demian Maia escapou, tendo sua guarda passada duas vezes. Não sabemos como ele joga de costas no chão, pois ele nunca foi quedado. E sinceramente, não vejo Vitor colocando ele de costas no chão.
Vitor tem um background de anos na luta agarrada, que as vezes acaba sendo esquecido por conta de seu espetacular jogo de striking. Faixa preta de Carlson Gracie desde os 18 anos, teve durante muito tempo como seu calcanhar de Aquiles a defesa de quedas, mas desde que retornou ao UFC em 2009, o vimos de costas poucas vezes, uma contra Jon Jones (mas ai é sacanagem, JJ derrubou até Daniel Cormier) e por Anthony Johnson, de onde Vitor saiu para finalizar num esgana galo. Mesmo por baixo, Vitor pode ser perigoso, como no armlock defendido de maneira espirita por Jon Jones. mas ele deve evitar ficar de costas no chão contra um lutador com domínio posicional de Weidman, para evitar se desgastar e ser vitima de uma finalização como contra Jones. Portanto, posições como as de guilhotina devem ser usadas apenas num momento de descuido de Weidman, para evitar ficar por baixo de maneira desnecessária. Caso consiga cair por cima, Vitor deve aproveitar para bater e desgastar Weidman, abrindo brechas para nocaute técnico ou finalização. Vitor também deve evitar o clinche, haja visto a maior força física de Weidman deve lhe dar vantagem nessa posição.
[youtube_sc url=”https://www.youtube.com/watch?v=3oUvFh43hQM” width=”650″ autohide=”1″]
CONDICIONAMENTO FÍSICO E PSICOLÓGICO
Uma fortaleza psicológica e de confiança parece estar ao redor do campeão. Ele não tem medo de trocar chão com Demian Maia, não caiu nas provocações de Anderson Silva e após tomar um calor de Machida no penúltimo round, voltou ainda mais forte para o último. Na parte física, ele mostrou algum cansaço nos dois últimos rounds, mas também coração para superar isso. Devemos levar em conta também que lutar com Machida cinco rounds é desgastante ao extremo, devido a movimentação do brasileiro.
Vítor foi durante muitos anos criticado por ter dificuldades psicológicas contra adversários de maior renome. Mas hoje, parece estar forte mentalmente, sabendo sair de situações desfavoráveis como contra Rumble Johnson ou guerras psicológicas como com Bisping e Rockhold. Do ponto de vista físico, a dúvida é de como estará Vitor após o cancelamento do Tratamento de Reposição de Testosterona (TRT). Vitor com certeza perdeu massa muscular. Isso influenciará na sua explosão? E a resistência?. Vitor é claramente mais perigoso no inicio das lutas, só tendo lutado três rounds ou mais 7 vezes em 34 lutas, estando 1-6 nessas lutas. Em compensação ele tem 17 vitórias no primeiro round, mostrando quão explosivo é no começo das pelejas.
PROVÁVEL ESTRATÉGIA 
Para esse combate, dificilmente veremos Weidman partindo para cima e imprimindo o ritmo forte que imprimou contra Machida no inicio, haja visto o perigo que é Vitor no começo das lutas. A tendência é que ele tente tomar o centro do cage, usando os chutes baixos para quebrar a base de Vítor, use sua envergadura para trabalhar com o brasileiro contra a grade e buscando uma queda, para desgastar o brasileiro, até conseguir uma finalização ou nocaute técnico da metade do terceiro round em diante ou assegurar uma decisão unânime.
Já Belfort, deve começar a luta mais forte, circulando o cage e contra atacando cada investida do americano. Também ele buscará os golpes cruzados para cortar os ângulos e acertar alguma pedrada em Weidman até o segundo round, que poderá abalar o campeão. Uma vez sentido o cheiro de sangue, deve ir com tudo para cima para acabar a luta. Vitor deve a todo custa evitar as quedas e caso a luta se estenda deve manter Weidman longe e pontuar golpeando o campeão. Suas melhores chances são nos dois primeiros rounds.
ARMA “SECRETA”
Weidman pode tentar alguma finalização inusitada em algum erro de defesa de Vitor, como uma guilhotina ou um triângulo de mão. Outra arma será simular uma tentativa de queda e soltar um cruzado ou overhand que abale Vitor e o leve a nocaute.
Vitor poderá usar mais do mesmo. Claro que Weidman sabe do seu recente histórico de chutes, mas a maior preocupação é sem dúvida a mão pesada. E ai mais uma vez um chute pode entrar. E se os três últimos foram na cabeça, quem sabe uma bela canelada no abdômen ou nas costelas não abre caminho para mais um cinturão?