Por: Ricardo Daniel Treis | 3 anos atrás
Túnel no Morro do Vieira, bairro João Pessoa

Túnel no Morro do Vieira, bairro João Pessoa – Foto: Piero Ragazzi

Por Gabriela Bubniak, O Correio do Povo:
Ao mesmo tempo em que as obras de duplicação da BR-280 tomam forma em toda a extensão do Lote 2.2, entre as cidades de Guaramirim e Jaraguá do Sul, é aguardada a segunda parte das desapropriações para a continuidade de algumas frentes de trabalho. Mas, a segunda etapa de indenizações ainda não tem data prevista pelo Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), que aguarda aporte de recursos de Brasília para iniciar o mutirão de conciliação e pagamento.

Atualmente há equipes atuando na terraplanagem e drenagem das regiões próximas a Rua Rio de Janeiro, em Schroeder I e Rua Guilherme Tomelin, em Guaramirim; outra equipe trabalha no túnel, no Morro do Vieira, no Bairro João Pessoa, em Jaraguá do Sul. E, segundo o engenheiro e supervisor do Dnit, Antônio Carlos Bessa, as obras seguem em ritmo normal, mas a continuidade depende das desapropriações. “Apesar da necessidade de liberação dessas áreas, tudo está avançando. Temos que resolver o mais rápido possível para seguir sem problemas”, aponta.

No ano passado foi realizado o primeiro mutirão de desapropriações, quando 39 proprietários foram indenizados. O valor total foi pouco superior a R$ 8 milhões. A segunda etapa dos processos já está pronta e o Dnit aguarda o empenho dos recursos, em Brasília, na quantia de R$ 27 milhões. Em 2014 as desapropriações foram de áreas para obras do Lote 2.2. O próximo mutirão deverá contemplar terrenos necessários a continuidade da primeira etapa do Lote 2.1. “Hoje o caminhar das obras depende muito das desapropriações e ainda contamos com a previsão de entrega dentro do prazo”, explica Bessa.

Enquanto não sai a segunda parte de indenizações, a Cetenco Engenharia, empresa responsável pelas obras do Lote 2.2, continua com os trabalhos de terraplenagem e drenagem dos terrenos, a exemplo dos realizados na Rua Guilherme Tomelin, entre o Bairro Caixa d’Água e a linha férrea, em Guaramirim. No local as equipes trabalham com a colocação de pedras detonadas para dar sustentação ao asfalto a ser implantado futuramente.

Sobre a Rua Guilherme Tomelin também está para iniciar, em 30 dias segundo Bessa, o primeiro dos 15 viadutos previstos no lote, no quilômetro 51. “A expectativa é que ele comece a ser erguido em um mês, assim como o segundo, no km 52, que será construído nas proximidades da linha férrea”.

 

Túnel avança no Morro do Vieira
Os trabalhos no chamado emboque leste do túnel que passará por dentro do Morro do Vieira tomam forma mais concreta, no Bairro João Pessoa. As perfurações avançaram e atingiram pouco mais de 40 metros morro adentro. Na manhã de ontem, mais uma parte de rocha foi detonada dentro da estrutura e, no início da tarde, uma equipe trabalhava na retirada de pedras soltas, sob a supervisão do técnico de segurança do trabalho, Arnaldo Maranhão.

Para começar no emboque oeste (no Bairro Três Rios do Norte), o Dnit aguarda a liberação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama). O engenheiro Antônio Carlos Bessa explica que a entidade pediu alterações projeto, que previa a passagem da estrutura de ligação pela vegetação da Mata Atlântica. “Os acessos nos dois emboques serão feitos de forma diferente, diminuindo o corte da vegetação. No leste teremos um viaduto, e no oeste faremos um desvio”, detalha Bessa.

A previsão é que nesta semana o Ibama aprove as alterações do projeto. Já no segundo túnel, a terraplanagem já está pronta e as equipes trabalham nas obras de contenção para então iniciar as escavações.

Serão instalados dois túneis paralelos com pouco mais de mil metros de extensão, 13,9 metros de largura e divididos por distância de 15 metros.

Intervenção
15 viadutos, 2 pontes e 2 passarelas

Extensão
23,9 km

Empresa
Cetenco Engenharia S/A

Valor
R$ 525,74 milhões

Previsão de entrega
Fevereiro de 2017

 

Obras aguardam indenizações de lotes
Os trabalhos no trecho do Lote 1, que vai de São Francisco do Sul até a BR-101, ainda não começaram e dependem da desapropriação de cerca de 500 áreas. A empresa Sotepa realiza os levantamentos para elaboração dos processos de indenização. De acordo com a assessoria de imprensa, o Relatório Geral de Valores (RGV) já foi repassado para aprovação em Brasília. A Construcap será a responsável por cumprir com o serviço e teve o contrato assinado em novembro do ano passado. O prazo de conclusão é de quatro anos a partir da assinatura da Ordem de Serviço, que ainda não foi emitida. Ao todo serão feitos 19 viadutos, em extensão de 36 quilômetros. O valor licitado é de R$ 305 milhões.

No Lote 2.1, a Sulcatarinense prossegue com os trabalhos de terraplenagem e drenagem, mas novas frentes de obras ainda dependem de desapropriações e de licenças da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Ibama. Segundo Bessa, o lote abrange faixas de domínio do Dnit, diferente do lote 2.2, onde há apenas propriedades particulares.

“Trabalhamos com 60 metros dentro dessa faixa, mas alguns trechos precisam de desapropriação para o alargamento da via”, explica. A obra contará com dois viadutos, duas pontes e duas passarelas, em extensão de 14,1 quilômetros. O valor é de R$ 134 milhões e o prazo é de três anos.