Por: Ricardo Daniel Treis | 4 anos atrás

Via Olhômetro: Quando os bons se calam o mal triunfa O Thiago foi preso em flagrante na manifestação ontem. Injustamente, claro. Está detido ainda sob as acusações de formação de quadrilha, depredação ao patrimônio público, resistência a prisão e dano qualificado, de acordo com informações de amigos.

O Thiago não fez nada disso, claro. A “quadrilha” dele são outras pessoas que ele nunca viu antes. Ele ficou atordoado com uma bomba lançada na direção dele, caiu no chão e aí os PMs vieram pra cima: pegaram-no pelo colarinho, jogaram-no dentro da viatura. O Thiago pode ter que enfrentar um processo de anos. Como o Thiago, outras 4 pessoas dentre as 19 que foram detidas ontem ainda estão presas, a maioria provavelmente inocente a julgar pelo histórico, e estão sendo usadas como bode expiatório para dar exemplo a quem se atreva a ir pra rua gritar contra o status quo.

Aliás, é nisso que o Thiago acreditava quando continuou indo pra rua, ao contrário de todo mundo que desistiu no meio: ele acreditava no poder da voz dele pra impedir que coisas como essas continuassem acontecendo com as pessoas. Na periferia, um pobre preto é preso ou morto todo dia, né? Só é bom lembrar.

O Thiago é um preso político, só mais uma vítima injustificada dos interesses do capital e do poder. A prisão do Thiago prova que a qualquer momento eu, você, o Amarildo, podemos ser presos com uma tonelada de acusações, podemos apanhar, ser mortos, tudo em nome de uma guerra que é travada nas ruas entre nós e a PM, em nome da tonelada de dinheiro que um monte de gente sentada atrás de grandes mesas de mogno ganha.

E eu vejo gente em comentários nos sites de notícias dizendo que as pessoas que sofrem abusos da PM mereciam: o mecanismo de manutenção do status quo é tão eficiente que ele explora e ainda garante que os próprios explorados o defendam.


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