Por: Anderson Kreutzfeldt | 4 anos atrás

cigar

Um talvez não é convidado. Um talvez nunca atingiu o topo. Talvez nunca escreveu uma música. É hora de explorar. Não mais talvez.

As frases integram a campanha publicitária do cigarro Marlboro difundida em dezenas de países -inclusive no Brasil- que virou alvo de questionamentos por seu potencial apelo sobre jovens.

Em relatório que será divulgado hoje no Brasil em parceria com a ACT (Aliança de Controle do Tabagismo), a entidade americana Campaign for Tobacco-Free Kids critica o que vê como a sedução de jovens para o fumo. No documento, as duas ONGs pedem que a Philip Morris, fabricante da marca, encerre, no mundo, a campanha Be Marlboro, com suas imagens de jovens com guitarras, skates, motos e se beijando.

“A campanha associa o consumo do tabaco à entrada no mundo adulto: ser independente, se apaixonar e ser incluído no grupo. E induz a pensar que, se não tomar a atitude [de fumar], será excluído de tudo o que o jovem quer”, diz Mônica Andreis, da ACT.

Segundo o relatório, a campanha é uma tentativa de renovar a imagem da marca entre jovens, em substituição ao famoso caubói da Marlboro.

Além da crítica, o documento faz o apelo para que os governos proíbam a publicidade de tabaco de forma ampla, para reduzir a iniciação de jovens no tabagismo.

No Brasil, o relatório terá ainda uma carta aberta à presidente Dilma Rousseff, com uma cobrança para que o governo regulamente a lei federal de 2011 que baniu os fumódromos e restringiu a propaganda de cigarros -autorizando só a exposição dos maços.

Prometido pelo ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha para março de 2012, o detalhamento da lei -com a definição de sanções e fiscalização- nunca foi publicado.

No Brasil, a campanha da Marlboro teve uma de suas peças suspensas em 2013 pelo Conar, que viu “má influência” sobre as crianças.

Apesar disso e de a lei de 2011 ter banido cartazes dos pontos de venda do cigarro, a campanha pode ser vista em padarias e mercados.

Em 2013, um decreto vetou o uso das peças lançadas pela campanha na Alemanha.

PARA ADULTOS

A Philip Morris não informou quando a campanha citada teve início no Brasil ou se ela ainda é usada pela empresa. Disse que “considera que ela está de acordo com a legislação” e que a lei federal “carece de regulamentação”. Disse ainda que a campanha é voltada “exclusivamente” para adultos fumantes.Classificou o veto alemão como “desprovido de fundamento legal” e disse que conseguiu a liberação do uso das palavras “ser” e “talvez” em novas campanhas lá. O Ministério da Saúde não respondeu sobre o atraso na regulamentação da lei.

via FOLHAPRESS