Por: Cláudio Costa | 2 anos atrás

Pouca gente sabe, mas 70% dos 430 presidiários instalados no Presídio Regional de Jaraguá do Sul trabalham. O dado impressionante foi revelado por Cleverson Drechsler, diretor da unidade há cinco anos, nesta terça (10). O Por Acaso foi até a unidade para conhecer a rotina dos presos que suam a camisa enquanto pagam sua dívida com a sociedade ou aguardam por um julgamento.

A unidade prisional tem capacidade para 220 presos. Ao todo, 60 agentes cuidam da segurança, serviços administrativos e outras atividades, como a recepção dos parentes nos dias de visita. Uma nova ala está prestes a ser inaugurada e 160 novas vagas serão abertas. Um alívio para os homens e mulheres que ocupam as seis alas da prisão. Ao todo, o perímetro do presídio ocupa uma área de 26 mil m², com 8 mil m² de área construída.

Foto: Cláudio Costa

Sob supervisão, presos trabalham na parte exterior do presídio. Foto: Cláudio Costa

Segundo Drechsler, nove empresas de Jaraguá do Sul estão conveniadas com a Secretaria de Justiça e Cidadania de Santa Catarina. “Os presos recebem um salário mínimo referente aos dias trabalhados e também têm direito à remissão, ou seja, a cada três dias trabalhados, um a menos na pena”, explica Cleverson. Os presidiários desenvolvem trabalhos nas áreas têxtil e mecânica, por exemplo. Alguns presos do regime semiaberto trabalham com a roçada nas ruas da cidade.

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Não há um perfil para a escolha dos trabalhadores. De acordo com Cleverson, todos os presos podem trabalhar em uma das frentes. “Se o preso tiver vontade de trabalhar, ele é conduzido para o setor. Há presos que não querem trabalhar e não adianta insistir, mas a grande maioria quer”, ressalta o diretor, ao relatar que ainda não há pessoal suficiente para colocar todos os presidiários nas atividades desenvolvidas dentro e fora da unidade. “A logística de segurança não permite que eu faça isso”, completa.

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Presos trabalham de seis a oito horas por dia para empresa do ramo têxtil. Foto: Cláudio Costa

“Hoje, eu acredito que o Presídio Regional de Jaraguá do Sul é o presídio que mais ocupa mão de obra dos apenados no Estado”, conta Cleverson.

Muitos presos ainda aguardam um julgamento na unidade. Segundo o diretor, a maior parte dos presos foi detida por tráfico de drogas. “Temos presos condenados e provisórios, aqueles que aguardam trânsito em julgado”, comenta.

A rotina do preso é bem simples. “Ele trabalha de seis a oito horas por dia, volta pra cela, toma um banho, se alimenta. No outro dia, acorda e vai trabalhar como em outra empresa qualquer”, narra. “Eles têm o direito de folga no domingo e todos eles trabalham de segunda a sábado”, destaca Cleverson, que afirma que não houve mão de obra de presidiários na construção da nova ala do presídio. Uma empresa de Porto Alegre, vencedora da licitação, foi responsável pela nova edificação.

O diretor do presídio

Foto: Cláudio Costa

Cleverson dirige a unidade há cinco anos. Foto: Cláudio Costa

Cleverson Drechsler é agente de carreira e entrou para o Deap (Departamento de Administração Prisional) através de concurso em 2002. Durante nove anos, ele trabalhou na Grande Florianópolis, quatro anos na Penitenciária da Capital e em outras unidades. Ocupando o cargo de gerente de escolta e vigilância do Estado, Drechsler participou de intervenções em diversas unidades prisionais de Santa Catarina.

“Na época, eu fazia uma intervenção administrativa e operacional em unidades com problemas”, sublinha Cleverson. Durante a gestão temporária, que durava cerca de 30 dias, o diretor responsável pela unidade prisional era dispensado e um funcionário da equipe era escolhido para ocupar o posto. “Eu vim fazer isso em Jaraguá, após uma fuga de 25 presos. Cheguei para arrumar a casa durante 30 dias, sempre visando o bem da sociedade, e estou aqui há cinco anos”, lembra.

Curiosidades do presídio:

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Cão ajuda na guarda dos presos do Presídio Regional de Jaraguá do Sul. Foto: Cláudio Costa

– 4 cachorros fazem a guarda da ala masculina do presídio;

– 15 gansos reforçam a guarda da ala feminina da unidade;

– 30 câmeras fazem o monitoramento por vídeo dos presos;

– 60 presos farão o Enem 2015 nos dias 1 e 2 de dezembro;

– 30 presidiários fazem supletivo;

– 1 preso estuda no nível superior.