Por: | 8 anos atrás

A Pfizer, fabricante do Viagra (citrato de sildenafila), anunciou nesta terça-feira (8) que irá reduzir o preço do medicamento em 50%. A decisão foi anunciada 12 dias antes de terminar o prazo da patente do produto e os genéricos começarem a chegar ao mercado.

A empresa havia tentado adiar o término da patente para o ano que vem, mas o Superior Tribunal de Justiça (STJ) concluiu, no fim de abril, que o prazo se encerraria agora, 20 anos após o registro. O primeiro depósito do Viagra ocorreu em 1990, no Reino Unido, mas houve uma desistência em prol de um pedido posterior, no ano seguinte. Os ministros entenderam que o primeiro depósito no exterior é o que vale, não o segundo.

Até agora, o Brasil é o único país em que a Pfizer perde a patente do Viagra. Segundo Adilson Montaneira, diretor da unidade de negócios Primary Care da Pfizer Brasil, a empresa ainda não decidiu se irá recorrer da decisão do STJ, porque ainda não teve acesso a todos os pareceres dos ministros.

O remédio, que virou sinônimo de tratamento contra disfunção erétil, hoje constitui o segundo produto dessa categoria mais vendido no Brasil, perdendo apenas para o Cialis (tadalafil). Na lista geral de medicamentos mais vendidos no país, aparece em sexto lugar, segundo a consultoria IMS Health.
Nova apresentação

Além de cortar o preço pela metade, a Pfizer lança uma nova apresentação do produto, com apenas um comprimido, que irá custar aproximadamente R$ 15 (antes, as cartelas vinham com no mínimo dois, com preço máximo de R$ 66.76). “A ideia é melhorar o acesso aos consumidores, já que existe um novo cenário e nós queremos continuar competindo nesse segmento”, afirma Montaneira.

Por que só agora o preço pode ser mais baixo? O executivo explica que um medicamento leva cerca de oito anos para chegar ao mercado e isso custa cerca de US$ 1 bilhão, portanto no período da patente a empresa precisa ter retorno desse investimento e seguir custeando a pesquisa por novos produtos.

Segundo o representante da empresa, a decisão do STJ ainda não gerou impacto nas vendas. Montaneira acredita que o medicamento continuará em destaque, já que conquistou confiança de médicos e pacientes após 12 anos de uso. Ele também informa que não há planos para novos produtos dessa categoria: “A empresa entende que o segmento está suprido”.

A redução radical do preço pode, em um primeiro momento, colocar a Pfizer em posição favorável em relação aos genéricos. Os produtos registrados na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) até o momento têm preço até 25% maior que os novos valores anunciados pela fabricante do Viagra, de acordo com Montaneira. Com o tempo, porém, o mercado tende a ficar mais competitivo. “Mas não pretendemos entrar em guerra de preços”, informa o executivo.

Falsificação

A Pfizer também espera que os novos preços diminuam o consumo de medicamentos falsificados. Um estudo feito pela empresa em 14 países europeus e publicado no “International Journal of Clinical Practice”  mostra que o mercado de medicamentos falsificados movimenta cerca de 10,5 bilhões de euros por ano. O estudo também revela que apenas uma em cada dez pílulas de Viagra apreendidas no Reino Unido continha o princípio ativo do medicamento na mesma quantidade que o comprimido original.

Via UOL.