Por: Ariston Sal Junior | 3 anos atrás

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No princípio criou Deus a guitarra, o contrabaixo e a bateria… A música já possuía formas, mas para muitos jovens era vazia; e havia trevas sobre a face dos ritmos existentes. Disse Deus: haja rock.E houve rock. Viu Deus que o rock era bom; e fez separações entre os instrumentos e o papel de cada integrante. E Deus chamou o ritmo de rock’n’roll. E foi a tarde, a manhã e a noite, o dia primeiro. 13 de julho de 1954.

O rebento ainda sem nome apareceu no cenário do Pós-guerra, na virada dos anos 1940 aos 1950. O filho bastardo da música country americana com o blues dos negros começou a ser tocado nas rádios do Sul dos Estados Unidos, caminhando a passos tímidos, rompendo barreiras. O primeiro disco considerado rock’n’ roll foi gravado pelo grupo The Crows, em 1951, com a canção “Gee”, três anos antes do gênero receber nome. Foi o disc-jóquei Alan Freed, em 1954, que criou um festival chamado Rock’n’roll Jubilee, e batizou a criança.

Desde então, o rock se rebelou, amadureceu e cresceu. Cresceu tanto que dos primórdios com Chuck Berry até hoje, tudo mudou. O cenário, os artistas e a forma de comercialização da música sofreram impactos. Veja a digitalização e as formas que consumimos música atualmente. I-pod, internet, MP3, diversas mídias, inúmeras possibilidades.

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A década de 1950 é fundamental ao estilo. O rechonchudo Bill Halley com seus Cometas, Chuck Berry, Little Richards e Jerry Lee Lewis, deram o pontapé inicial incendiando com seus gingados, riffs de guitarra e solos de piano o coração dos jovens americanos ávidos por uma trilha que embalasse espíritos inquietos. Na cola desses pioneiros, surgiram os Beatles, Rolling Stones, Bob Dylan, The Doors, Led Zeppelin, The Who, Pink Floyd, Queen, U2, The Smiths, The Cure, David Bowie, Iggy Pop, Pearl Jam, Nirvana.

Com um motorista de caminhão, caipira, nascido em East Tupelo, no Mississipi, o rock se consolida como fenômeno para as massas. Ao fazer uma jam-session com a canção “That’s All Right Mama”, com mais dois músicos que o acompanhavam, no dia 13 de julho de 1954, lançou a pedra fundamental do ritmo. Daí a escolha da data para, em 1985, lançar o mega-evento Live Aid.

Desde então, o filho bastardo, gerado após a bomba atômica, e que pregou a paz e o amor, ganhou status. Transgressor na essência, rebelde até a medula, o rock dita moda, influencia comportamentos, embala romances, foi trilha sonora no Vietnã, criou os hippies, morreu, renasceu das cinzas e se reinventou. Ah! O motorista caipira atendia pelo nome de Elvis Presley, mas isso é uma outra história.

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por Ariston Sal Junior