Por: Ricardo Daniel Treis | 3 anos atrás

Em julho de 2013 a arquiteta Ruth Borgmann comentava em sua timeline da ausência de áreas de lazer na cidade, indo além no debate ao apresentar sugestões e ideias práticas que certamente deixam qualquer jaraguaense com água na boca pelas possibilidades…

Quase dois anos depois vemos algumas mudanças no cenário, mas também que as colocações e propostas colocadas por Ruth continuam válidas, idem sua propagação. Confiram essa série apresentada, e contribuam com o tema como puderem. 😉

praça

Projeto de revitalização da Praça Ângelo Piazera, projeto do grupo de arquitetos Boa Praça

ESTÁ NA HORA DE AGIR SE QUISERMOS UMA CIDADE MAIS HUMANA PARA O FUTURO
– Por Ruth Borgmann

Cada vez que vou ao Parque Malwee e o vejo cheio de pessoas, ou em qualquer outro lugar do mundo onde os parques são cada vez mais usados por todos, penso “Temos que fazer mais parques em Jaraguá”. No mínimo está na hora de deixar definidas determinadas áreas de interesse público para isso, antes que se edifique tudo e venhamos a morar em uma selva de pedra.

ASPECTOS POSITIVOS E NEGATIVOS NO PERFIL DE JARAGUÁ DO SUL:
– A cidade é carente de espaços públicos de lazer.

Se um só parque já proporciona tanto, que dizer mais?

Se um só parque já proporciona tanto, que dizer mais?

– Há praticamente a inexistência de áreas verdes livres ou parques na cidade.

– O Parque Malwee, que contempla o padrão do que o cidadão quer, é de propriedade particular.

– As áreas exigidas por lei dos loteamentos são pequenas, muitas vezes localizadas em fundos de vale e locais de pouco acesso para se fazer algo.

– Há inexistência de um plano amplo voltado para isso.

– O rápido crescimento da cidade e do uso do solo para edificações encarece cada vez as poucas áreas disponíveis para isso.

– As poucas áreas disponíveis precisam ser tratadas logo como áreas de interesse público para evitar sua ocupação e conseqüente verticalização.

capivaras

Acredite ou não, esta é uma cena que faz parte do Centro da cidade

-Temos um elemento paisagístico incrível com as margens dos dois rios que cortam a cidade, atualmente negligenciadas em seu potencial territorial, visual e urbanístico; sem considerar o efeito calmante e relaxante sobre seus visitantes.

-A beleza dos nossos rios está limitada à apreciação apenas por proprietários particulares.

– Aspectos maravilhosos da nossa cultura podem ser resgatados e incrementados com isso, como por exemplo a tradição do cultivo das flores nos jardins. Deve-se ainda considerar o potencial comercial do cultivo das espécies nativas daqui, que podem ser comercializadas por produtores e exportadores da flora local com destaque no Brasil e no mundo.

– O aumento da consciência que precisamos fazer algo neste sentido.

UM POUCO DE HISTÓRIA NO MUNDO
A maior parte das cidades europeias tinha o conceito antigo de pequenas pracinhas e áreas restantes para fazer um jardinzinho. Houve muito trabalho, conscientização, aquisições e doações para se obter o que vemos hoje por lá. Inclusive a possibilidade de ver a paisagem bucólica alpina com “casinhas de campo e vaquinhas” vem de um longo processo de compras e doações.

Os EUA começou mais cedo sua história. No Brasil e nossa região ainda vivemos neste aspecto no século 18 da Europa.

Na cidade que resido hoje nos EUA o projeto de parques começou há mais de 100 anos, quando em 1907 a empresa paisagística dos irmãos Olmsted (os mesmos que fizeram o projeto do Central Park, em NY) elaborou um compreensivo plano para prever o sistema de parques daqui. De tão eficiente ele é utilizado até hoje.

Foi levantado na comunidade um suporte financeiro para iniciar o plano de 4 novos parques, 5 pequenos locais e a melhora de 10 existentes. O grande projeto continua até os dias de hoje. Ainda em 2009 o programa de conservação adquiriu 4,525 acres em 22 aquisições, que se somaram aos atuais 80 parques e praças para uma população de 210.000 habitantes. O dinheiro foi conseguido de muitas formas interessantes, que ainda posso discorrer em outro momento.


Os outros posts da série:
– Ideias 1: passeios e parques às margens do rio
– Ideias 2: arquibancada às margens, palco flutuante e exploração de ilha
Ideias 3: um parque na rua Walter Marquardt ligado ao Parque Municipal de Eventos
Ideias 4: contorno do rio na Ilha da Figueira.