Por: Anderson Kreutzfeldt | 4 anos atrás

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Embora seja de dois anos atrás, as vésperas da tão esperada Copa do Mundo FIFA de 2014, vale relembrar o acontecimento:

Em 2011 o DNIT escolheu o projeto da então “nova” ponte do Guaíba, em Porto Alegre, uma das mais chamativas promessas da presidente Dilma Roussef. O serviço foi confiado ao Ministério dos Transportes e a previsão para o término da obra é 2015 (quatro anos a partir da aprovação do projeto) e com apenas 2,9 quilômetros de extensão vai custar a bagatela de R$ 1,6 bilhão. Isso mesmo, mais de um bilhão e meio de verdinhas.

Pois bem… Na mesma época, do outro lado do mundo, o governo chines inaugurava a ponte da baía de Jiadhou, que liga o porto do Qindao à ilha de Huangdao. Pasmem: a ponte foi construída em quatro anos, o colosso sobre o mar tem 42 quilômetros de extensão e custou o equivalente a R$ 2,4 bilhões.

Algo parece assombradamente errado, não é? Foi o que pensou o matemático gaúcho Gilberto Flach ao traçar um quadro comparativo entre a ponte brasileira e a chinesa. Na época o jornal Zero Hora publicou a incoerência numérica resumida no quadro abaixo:

TABELA_Chinesa_Guaíba-460x154Os estudos acerca desses números informam que se Guaíba ficasse na China, a obra seria concluída em um prazo aproximado de 102 dias, custando R$ 170 milhões. Se a baía de Jiadhou ficasse no Brasil, a ponte teria um prazo inestimável e seria calculada em trilhões. Uma vez que o Ministério dos Transportes arrenda-se ao PR, sendo financiado por propinas, barganhas e permutas ilegais, o Brasil abrigaria o partido mais rico do mundo.

E o que aconteceu quando essa bomba explodiu na cara do povo brasileiro dois anos atrás? Bom… O negócio acabou mais ou menos assim:

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Nenhuma satisfação foi dada ao brasileiro. Dilma ordenou o afastamento dos oficiais (incluindo o coronel do DNIT), mas demostrou-se bastante preocupada e determinada a preservar o general:

“O governo manifesta sua confiança no ministro Alfredo Nascimento. O ministro é o responsável pela coordenação do processo de apuração das denúncias feias contra o Ministério de Transportes” – emitiu-se nota oficial da presidência da república na época.

Traduzindo: a presidente não demitiu o chefe sobre o qual caiam todas as suspeitas, simplesmente lançou uma investigação contra os chefiados.

Ah, a corrupção existe em qualquer lugar onde se manifesta a política. Isso é indiscutível. Porém, no Brasil, o poço parece não ter fundo e a impunidade reina absoluta. Se algum dia o esquecimento do brasileiro não for tão rápido, gente como Alfredo Nascimento e seus colegas podem estar em maus lençóis.

Cabe a pergunta: quando deixaremos de vestir o nariz de palhaço?

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