Por: Sistema Por Acaso | 8 anos atrás

promessas ano novo

Não passar o ano inteiro repetindo: “Nossa, como esse ano tá passando rápido!”.

Não exclamar a cada chuva, temporal, frio, calor ou vento repentino: “O tempo tá maluco!”.

Não usar a expressão “no meu tempo” para justificar a incapacidade de adaptação ao presente. Por exemplo: “No meu tempo era muito mais fácil ler os encartes dos elepês” (desculpe se você não sabe o que é elepê. Era o CD do “meu tempo”).

Não responder a perguntas com frases e palavras mecânicas, que se pronuncia sem saber por quê: “Sem dúvida”. “Exatamente”. “Justamente”. “Sem dúvida”. “Perfeitamente”. “Se deus quiser”. “Sem dúvida”.

Não usar a toda hora palavras oriundas da língua inglesa, contribuindo com a entrada das mesmas a fórceps no dicionário: deletar, lincar, overizar, estartar.

Perder uns dois quilinhos.

Não rir de portugueses por eles chamarem mouse de rato, já que mouse é rato.

Chamar mouse de camundongo.

Não enxertar palavras em inglês em frases prosaicas, como se isso fosse a coisa mais natural do mundo: “Essa lua tá me dando um insight…”. “Tô com overdose do Lula…”. “As crianças estão no playground, por que não passamos ao living room?”.

Xingar de filho de uma cadela tradutores que, em legendas de filmes, traduzem son of a bitch por filho de uma cadela.

Decorar as datas de aniversário do pai e da mãe.Mandar de volta à escola o pessoal do gerúndio: “Estaremos voltando às aulas de português, onde estaremos aprendendo que estaremos podendo falar bem melhor. Vocês não estarão perdendo por estarem esperando”.

Evitar certezas.

Não confiar em quem afirma que as têm.

Não achar plausível que, num calor de 40 graus, senhores em busca de um reforço no orçamento se esvaiam em suor sob roupas ridículas de Papai Noel, imersos em neve de algodão, num país tropical no auge do verão.

Não comemorar o Halloween.

Parar de rir quando a TV mostrar políticos fanfarrões enfiando dinheiro público na meia.

Começar a chorar quando a TV mostrar políticos fanfarrões enfiando dinheiro público na meia.

Não assistir ao Big Brother.

Nem ao horário político.

Desconfiar de promessas feitas no primeiro dia do ano.

Texto por Tony Bellotto .