Por: Ricardo Daniel Treis | 5 anos atrás

Meu primeiro email da semana saiu da caixa às 9:01 da segunda-feira, tendo como destinatário Germano Woehl Jr., do Instituto Rã-Bugio. Ambientalista de alma e ofício, ele teria a resposta para uma questão que debatemos aqui no escritório:

“Germano, sendo você uma das pessoas que tenho contato que tem mais propriedade no assunto, pergunto: é possível propor uma ação de engajamento civil para replantio de espécies nativas no Pico Jaraguá? Caso sim, quais os primeiros passos para que esta iniciativa possa concretizar-se?”

Queria ser grato à natureza de nossa região pelos anos de paisagem, e se para tal fosse preciso subir pico acima com uma caixa de mudas nas costas não faria objeção alguma – assim como tinha a certeza que muitos de vocês também pensavam o mesmo. A resposta veio logo depois, e ela é: a natureza pode passar por problemas, mas se recompõe quando deixada em paz. Germano mandou:

“Ricardo, na nossa região não é necessário o plantio de árvores para recuperação. A regeneração espontânea ocorre em menos de 7 anos, uma característica da Serra do Mar. A área queimada ainda é cercada de mata, e milhares de sementes estão sendo lançadas agora no local pelo vento e animais.

O problema é controlar pragas como os bambus (taquarinha ou taquara lambedora, foto abaixo) ou o pau-jacaré, que apesar de ser uma espécie nativa, domina as áreas desmatadas ou queimadas por germinar primeiro, resultando numa floresta homogênea e com enorme redução na biodiversidade.

Mata sufocada por taquarinhas

Se esforços serão empreendidos, acho que devem ser para que não ocorram novos incêndios (porque estes são constantes), e também para que não seja desmatado mais na região.”

Naquele momento também estava em contato com Benyamin Parham Fard, que não só é o Presidente do Ipplan, mas também diretor da Biovita Tecnologias Sustentáveis.

“Amigos, a ideia de engajar a sociedade é ótima, entretanto devido à declividade e riscos que os acessos ao local apresentam, penso que é vital que esta ação seja feita por profissionais (Bombeiros, Defesa Civil, Grupo Gerar etc.), a fim de evitar colocar em risco a integridade física de civis.”

Alguns vídeos do acesso da Defesa Civil ao ponto mostraram que uma ação no local é realmente complexa. E quando trata-se de um grande número de pessoas em ação em meio à mata não há como garantir a integridade de todos… A carga de responsabilidade seria muito grande.

ENTÃO NÃO HÁ NADA A SER FEITO?
Quanto ao Pico, talvez sim. A partir de agora iremos monitorar as atividades destes grupos profissionais, e caso precisem de mão voluntária, faremos o aviso aqui. Já quanto nossas áreas de mata a situação é preocupante, pede mais engajamento e denúncias.

Se estávamos preocupados com a natureza no Pico, que dizer ao encarar a cena abaixo?

Ali no interior áreas com o dobro do tamanho da queimada que testemunhamos domingo são destruídas criminosamente.

“Árvores derrubadas. Morros ocupados por residências. Loteamentos construídos às custas de áreas verdes. Essa é a realidade vista da janela de muitos moradores da região. No Dia da Árvore comemorado ontem, o meio ambiente da região se encontrava em estado de degradação. Situação triste, mas real, que ameaça principalmente as nascentes de água em todo o Vale do Itapocu. Elza Nishimura Woehl, diretora do Instituto Rã-bugio, entidade sem fins lucrativos que tem como meta a educação ambiental, afirma que a região vai sofrer com falta de água em menos de 15 anos se o desmatamento não acabar imediatamente. (…)”

Estas imagens são da semana de 22 de setembro de 2007. Naquela ocasião a Polícia Ambiental descobriu um esquema de desmatamento que já alcançara 3,4 hectares (340 mil metros quadrados – no Pico foram 170 mil) em mata aqui da região. Quantas vezes já passei por locais assim achando que havia permissão para tal…

O sentimento de resgate não deve ficar restrito ao que afeta nossos olhos. Para contato: Instituto Rã-Bugio / Fujama.

Quem quiser apoiar o ambientalismo na região sem sair da cadeira pode tornar-se sócio-contribuinte do Instituto Rã-Bugio. Basta uma doação única de R$30, cliquem no link para mais infos.

E para denúncias, anotem: 0800 642 0156.