Por: Ariston Sal Junior | 4 anos atrás

10388086_1005982036124507_581043345373571295_n

10407001_1005982152791162_8336954557661969690_n

Em 01/11/03 escrevi um artigo no OCP (jornal O Correio do Povo) sobre a antiga ponte coberta de zinco e o seu pilar remanescente, no leito do rio Itapocu, na direção da rua Jacob Buck (do hotel Kairós), dando na margem oposta, no lado da pizzaria Casarão, no centro de Jaraguá do Sul (SC).

O PILAR DO PRADI E AS TORRES DO WTC

“Dia desses escrevia sobre o resgate da idéia dos 3 pórticos alusivos à etnia (2) e à vocação industrial (1) local, que geramos quando Secretário de Planejamento, em 1991. Em agosto, no aniversário da amiga e arquiteta Ruth Borgmann, um verdadeiro baluarte da defesa do nosso combalido legado arquitetônico, em conversa com o causídico Humberto Pradi, este reavivou outra idéia igualmente digna de resgate: a da preservação e inclusão do pilar da antiga ponte Abdon Batista no cotidiano da nossa urbe. E fomos além, comentando também sobre o limbo a que foi relegado o administrador público de maior importância para a Arquitetura e Urbanismo da cidade, o cearense de Maranguape Leônidas Cabral Herbster. Mas este é tema para outra oportunidade.

Lembro bem da antiga ponte metálica Abdon Batista, que veio da Inglaterra e que por influência do médico e político que lhe deu nome foi aqui montada e inaugurada, em 09/09/13, servindo de única travessia do rio Itapocu. Tinha cobertura de zinco, estrutura metálica e tabuleiro de pranchas de madeira. Quando guri, no início dos anos 60, passava várias vezes por ela. Restou o pilar central de blocos de pedra, imponente e esquecido no meio do caudal. Sua estrutura metálica desapareceu, em circunstâncias obscuras. Jaraguá, com isso, talvez tenha o único caso conhecido de volatilização da liga Ferro-Carbono da história da Química.

Inveja da nossa Blumenau, que preservou a sua, de dezembro/31, ao lado do atual Paço Municipal, transpondo o rio Itajaí-Açu. Um pool de bancos e a Fundação Roberto Marinho propiciaram a sua recuperação e devolveram-na à função original: de servir ao trânsito, integrando-a à vida da cidade, com entrega oficial em 12/04/91.

Providencial a lembrança do dr. Pradi, até porque havia um esboço de projeto de reinserção urbana do pilar em meados dos anos 90, que suportaria uma espécie de restaurante panorâmico sobre o rio. E porque vemos recentes iniciativas de resgate da memória local materializadas, como a do pref. Pasold na restauração do antigo prédio da Prefeitura e a do grupo WEG na entrega de seu museu, contíguo ao Altstadt (Centro Histórico), este aguardando recursos para sua recuperação.

E num misto de apreensão e otimismo vejo que o isolado e indefeso pilar resiste ao tempo e aos nossos Bin Laden da cultura e da memória, relutando em juntar-se a vários exemplares arquitetônicos e históricos já varridos da paisagem. Que o Patrimônio Histórico ao menos tombe, como bem cultural, por enquanto, o solitário pilar!”