Por: Ricardo Daniel Treis | 7 meses atrás

Naquele estabelecimento de alto padrão vez por outra apareciam clientes recém-divorciadas, dispostas as mudanças convencionais, como renovação do guarda-roupa e da aparência, começando pelo cabelo, comprovando a tese do escritor David Coimbra: “A cabeça da mulher muda de fora para dentro”.

Algumas dessas senhoras socialites, reclamavam em bom tom das divisões desiguais dos patrimônios, destacando os bens que ficavam com os ex-cônjuges. Mal sabiam elas que por ali circulavam – circulam – as periguetes em busca de oportunidades.

Para essas caçadoras, dali em diante era só procurar o sujeito alvo na coluna social, nas redes e nas coberturas dos eventos e descobrir seus hábitos e lugares, e assim, partir para cima, literalmente.

Soube de duas delas que se inscreveram numa academia frequentada por um bom partido há pouco tempo avulso. Provocaram um esbarrão e, opa! Contato feito e amizade construída. Num legítimo trabalho em equipe, as duas até haviam acordado que aquela que não fosse a escolhida, seria sempre convidada pela felizarda para prováveis passeios de iate no caxadaço. E o cabra achando legal a coincidência de ter duas gatas amigas e novatas na academia terem tropeçado nele.

Sei de outra que parou no posto para abastecer e que, vendo ali um “iluminati”, num carrão, grisalho e sem aliança, pensou que poderia ser um “bom contato”. Foi atrás dele dentro da loja. Observou que ele comprou uma marca de cigarros e pediu a mesma, já emendando uma conversa sobre a coincidência e da sua luta para parar com o vício. O alvo curtiu a conversinha, a força de vontade da jovem em deixar o cigarro e ter um maço só para “emergência”. Ali mesmo o romance emplacou.

Além dos atributos físicos que mexem com o instinto masculino, o ponto forte das periguetes é a observação, conseguem identificar acessórios caros de longe.

Há um golpista na cidade que mora de favor num flat. O cara anda sempre na pinta, mas só tem um traje de roupa e ostenta um relógio de grife – emprestado. Ele observa as caçadoras e se aproxima dizendo ser forasteiro de São Paulo e acionista de uma S/A. Assim atrai as periguetes para o apartamento, elas liberam na primeira noite, infringindo o estatuto, afinal não correm o risco de queimar o filme, pois teoricamente o sujeito vai embora na manhã seguinte. Ele é estrategista e demora para repetir os mesmos ambientes festivos da cidade e arredores.

O golpista baseia-se na lei do ator da pornochanchada brasileira, Paulo César Peréio: “O cara não precisa ter pau grande, basta ter cara de quem tem o pau grande”.

Em tempo: Sobre a guria que havia cruzado com o grisalho no posto, convém salientar que nunca fora fumante. Tratava-se de uma profissional. Qualquer hora ela cruzará com o golpista. Espero que não venham a formar mais uma quadrilha do bilhete premiado na saída da Caixa Econômica Federal.


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Marcelo Lamas, cronista, colunista do PorAcaso há 10 anos. Autor de “Indesmentíveis”.
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