Por: Ricardo Daniel Treis | 6 anos atrás

Texto por Germano Woehl Jr., diretor do Instituto Rã-Bugio, enviado por email:

O hábito da queima de lixo plástico nos quintais das residências libera fumaça altamente tóxica com substâncias químicas conhecidas como dioxinas e furanos (moléculas semelhantes às dioxinas e se diferenciam por terem um oxigênio a menos) que apresentam um potencial cancerígeno considerável. É um problema ambiental gravíssimo, que ocorre no Brasil inteiro, inclusive nas regiões metropolitanas onde há coleta seletiva.

Além da fumaça, o resíduo da queima é da mesma forma muito tóxico, por conter as mesmas substâncias, contaminando para sempre o solo – e não deve ser tocado sem luvas de proteção. Em Santa Catarina, praticamente todas as residências com fogão a lenha queimam sacos plásticos no fogão (como combustível) junto com a lenha, produzindo grandes quantidades de dioxinas e furanos.

Não há nenhuma campanha para esclarecer a população sobre os riscos à saúde deste péssimo hábito. Ao invés de entregar o lixo para o caminhão de coleta, as pessoas acham mais cômodo descartá-lo no quintal de casa e atear fogo, quando não o fazem em terrenos baldios e leito dos rios e córregos.

Eu lembro, na minha infância, que nas festas juninas em Itaiópolis, antes da era dos sacos plásticos, tínhamos o hábito de queimar pneus velhos na fogueira, e a fumaça liberada causava náuseas e muita dor de cabeça. Algumas pessoas da comunidade também queimavam os pneus para obter o arame de aço ideal para fabricação de gaiolas para prender os passarinhos, como o canário-da-terra-verdadeiro (Sicalis flaveola), já que agregavam valor às gaiolas quando as vendiam juntamente com os canários que capturavam na natureza.

Então, a partir daquela época, eu já desconfiava que não fazia bem para saúde queimar pneus. Eu estava certo, conforme revelaram mais tarde os estudos científicos realizados na Europa no final dos anos 70, que inclusive já apontavam a queima de lixo doméstico como a principal fonte de dioxinas. Alguns formas de dioxinas tóxicas, formadas quando se queimam o lixo plástico, borracha, pneus e solventes, são consideradas hoje as mais perigosas substâncias já criadas pelo homem, com grau de toxidade ultrapassando o urânio radioativo e o plutônio.

Autoridades do mundo científico destacam que as doenças relacionadas com a contaminação por dioxinas são várias, entre elas os cânceres no fígado, nariz, língua, aparelho respiratório, tireóide e ainda queda de imunidade, malformações e óbitos fetais, distúrbios hormonais, dor de cabeça e nos músculos e tantos outros. A contaminação pelas dioxinas ocorre de forma lenta e gradual, em pequenas doses, e não é facilmente detectada porque, em curto espaço de tempo, não gera sintomas. Mas como são cumulativas no organismo, após alguns anos, as intoxicações pelas dioxinas podem provocar doenças fatais.