Por: Raphael Rocha Lopes | 7 anos atrás

“Caminhando e cantando/E seguindo a canção/Somos todos iguais/Braços dados ou não/Nas escolas, nas ruas/Campos, construções/Caminhando e cantando/E seguindo a canção/Vem, vamos embora/Que esperar não é saber/Quem sabe faz a hora/Não espera acontecer”

Lembrei dessa música do Geraldo Vandré ao começar escrever esse texto. “Pra não dizer que não falei das flores” é o nome dela. De uma época negra de nosso passado político recente. E é bom saber história para não ficarmos cometendo sempre os mesmos erros.

Há pouco tempoessa música foi gravada pela banda Charles Brown Jr. Ficou até uma versão interessante. Talvez, porém, alguns dos novos fãs da música não saibam a força dessa letra e o quanto ela representou e representa. É polêmica e fantástica. Extraordinária por tudo o que quer dizer e mudar.

Lembrei dela por causa do seus terceiro e quarto versos. Somos todos iguais, braços dados ou não. Explico.

Nesse último domingo foi realizada, em Jaraguá do Sul, a 1ª Pedalada da Caixa de Assistência da OAB (CAASC), organizado pelas representantes regionais, advogadas Luciane Mortari e Karina Martins. Pouco menos de 20 km e muita diversão. Do centro ao Ribeirão das Pedras.

Entre as razões desse evento estavam a conscientização para os advogados e familiares da necessidade de se praticar algum esporte, ou seja, sair do sedentarismo; a preocupação com a mobilidade urbana e a ecologia; e a confraternização. Uma equipe de ciclistas praticantes capitaneada por Marinês Ronchi conduziu o passeio e ajudou os marinheiros de primeira ou poucas viagens. Para a segurança de todos, fomos acompanhados por veículos da Triplac Mídia Externa, da Overbike e da própria CAASC. Em resumo, a jornada foi um sucesso. Provavelmente haverá outras.

O fato é que me empolguei. Segunda-feira fui para um compromisso à noite de bicicleta. Que o trânsito de Jaraguá do Sul não é nenhuma maravilha não é novidade para ninguém. Nos horários de pico tudo é tumultuado. Isso quando não está passando uma composição ferroviária no meio do trajeto. Ou pior, quando o trem não pára no centro da cidade, como ocorreu semana passada. Além disse não há ciclovias decentes (em muitos casos não há nem calçadas para os pedestres). Não há fiscalização, causando um deus-nos-acuda ou que-se-dane generalizado. Carros fechando cruzamento, ciclistas andando na contra-mão. Muitos mal-educados dentro e fora dos automóveis.

E eu, desacostumado a andar de bicicleta (fazia uns 5 anos que não pedalava), fiquei um pouco assustado e preocupado com a situação toda. Lembrei de alguns colegas e amigos que pedalam frequentemente e o que eles sempre dizem sobre a violência e o desrespeito no trânsito quando se está no veículo mais vulnerável. Senti na pele.

Entretanto, somos todos iguais, braços dados ou não. De bicicleta ou não. De transporte coletivo ou não. A pé ou não. Devemos alimentar a consciência, em matéria de trânsito, de que o que é bom para um pode ser bom para todos. Espaços mais adequados para as bicicletas e pedestres. Transporte coletivo decente, com horários, conforto e preço razoáveis. Menos automóveis nas ruas. Todos ganharão.

Falta, pelo que me parece, vontade política e coragem dos administradores públicos enfretarem a situação como deve ser.

Por Raphael Rocha Lopes