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Da guitarra elétrica que Gilberto Gil, Caetano Veloso e Os Mutantes usaram para chocar o público durante o Festival de Música Popular Brasileira de 1967 ao videogame portátil Game Boy que o produtor carioca Alexandre Kassin utilizou para gravar os instrumentos de um álbum lançado em 2005, música e tecnologia sempre andaram juntas.

Agora, é a vez de o iPad fazer a dobradinha. O computador da Apple em forma de prancheta (tablet), que funciona com uma tela sensível ao toque dos dedos, tem circulado nas mãos de músicos desde pelo menos dezembro do ano passado, quando os britânicos do Gorillaz anunciaram que estavam compondo um disco inteirinho com o gadget – e entregaram em seu site o mapa da mina (isto é, a lista de softwares necessários) para quem quisesse fazer igual.

 

 

Para mostrar como funciona uma banda de iPads na prática, o G1 convidou o Pato Fu para um desafio: tocar no iPad uma de suas músicas (veja a performance de “Eu” no vídeo ao lado). Uma proposta à altura do projeto que a banda mineira lançou no ano passado: o elogiado CD “Música de brinquedo”, com várias covers tocadas em instrumentos infantis.

Cada um dos tablets testados tinha uma série de aplicativos, pagos e gratuitos, que reproduziam a interface de um instrumento musical – as teclas de um teclado ou as peças e pratos de uma bateria, por exemplo. “O futuro da música pode estar aqui”, comentou a vocalista Fernanda Takai, enquanto mexia em um dos cinco iPads disponíveis, logo após um ensaio da banda em São Paulo na semana passada.

 

De todos os integrantes, apenas o guitarrista John Ulhoa já tinha passado por experiência parecida. “Nunca toquei um instrumento dessa forma, mas uso alguns aplicativos de programação e de sequenciamento no meu iPhone. É mais para o povo dar risada, fazer alguma maluquice. Tocar bonito não dá”, justificou o músico, que optou por espremer os dedos na tela de seu próprio smartphone em vez de se aventurar na tela maior do iPad.

Foi o baterista Xande Tamietti quem se adaptou mais rapidamente. “A sincronização não é real, às vezes atrasa uma nota. Mas é bem legal”, opinou. Já o baixista Ricardo Koctus, que sofreu para achar algumas notas em seu baixo digital, não o levou muito a sério. “Serve bem como brinquedinho. E brinquedo serve para divertir”, resumiu.

Depois de suar um bocado para se entender com o órgão sensível ao toque do iPad e chegar até o fim do hit da banda no tempo, o  tecladista Lulu Camargo chutou o balde e decretou: “Isso aqui é a decadência total do rock’n’roll!”.

Via G1.