Por: Ricardo Daniel Treis | 4 anos atrás

barco-pirataSÃO PAULO, via Estadão – O Partido Pirata do Brasil (Piratas) divulgou nesta quarta-feira, 11, que oficializou seu registro em cartório na terça-feira, 10, dando o segundo passo para se tornar uma organização política com direito a disputar eleições no País.

A partir do registro, o partido tem permissão para ter conta jurídica própria, arrecadar dinheiro de maneira aberta e encaminhar a campanha de coleta de 500 mil assinaturas para conquistar a autenticação de legenda pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Nas próximas semanas, os tribunais eleitorais de cada estado deverão receber os nomes dos representantes do partido – ao todo, hoje a organização conta com 5 mil pessoas articuladas em todo o País.

Na rede
“Defendemos o livre compartilhamento de conhecimento e cultura, a transparência do Estado, a privacidade individual, especialmente nas redes, a defesa dos direitos humanos e o empoderamento popular”, explica o gerente de projetos Kristian Pasini, primeiro secretário-geral do Piratas.

O partido foi criado na internet, a partir do exemplo dos partidos piratas europeus – o primeiro deles surgiu na Suécia, em 2006, que hoje tem dois piratas como deputados no parlamento europeu. Na Alemanha, a legenda conta com 45 representantes regionais – entre 2011 e 2013, o brasileiro Fabrício do Canto foi um dos eleitos para o colegiado de Berlim.

No Brasil, depois de sua movimentação na internet, o partido teve fundação formal em um encontro realizado em julho de 2012, em Recife, com 101 pessoas.

Coleta
Ao contrário do Rede Sustentabilidade, partido de Marina Silva que buscou colher as assinaturas a tempo de participar das eleições de 2014 e fracassou em sua intenção, o Piratas não tem pressa. “Temos até meados de 2015 para conseguir participar das eleições de 2016, que é a nossa meta”, explica Pasini.

De acordo com o fundador Paulo Rená, a aspirante a legenda tinha a possibilidade de correr e tentar participar da próxima eleição, mas os riscos eram grandes. “A experiência frustrada da Marina mostra que a gente acertou. Se ela, que tem uma estrutura forte ao lado dela, não conseguiu, a gente também não conseguiria”, comenta.

O partido ainda não definiu sua estratégia para a coleta de assinaturas. O secretário-geral Pasini defende o diálogo com movimentos de rua, na esteira das manifestações de junho, enquanto Rená aposta na pulverização da campanha, uma vez que o partido tem poucos fundos para uma mobilização massiva.

“Um dos nossos planos previa que qualquer pessoa interessada pudesse imprimir um canhoto de assinaturas, preencher e entregar no seu município. Além disso, queremos aproveitar o momento eleitoral para agregar as pessoas nas discussões. Estamos tentando apurar se seria irregular ou não fazer a coleta de assinaturas em locais próximos aos das votações”, diz ele, lembrando que uma assinatura pode ser feita por pessoas vinculadas a outros partidos, e revela apenas o interesse de que o grupo exista como partido.

A escolha para 2016 tem outro ponto importante além do tempo para os Piratas: a ênfase na política local é uma das bandeiras do grupo. “Acreditamos que a unidade da vida em sociedade são as cidades. Queremos partir da base para seguir em frente com um movimento maior”, explica Pasini. Já Rená acredita que “em 2016, uma vitória de qualquer vereador do Partido Pirata em qualquer um dos 5 mil municípios do Brasil seria um grande feito para o partido”.