Por: Tita Pretti | 4 anos atrás

Nas rodas de conversa, não é muito incomum escutar comentários em relação ao comércio de Jaraguá do Sul, sendo que o atendimento é um dos principais motivos de reclamação, certo?

Mas e o outro lado? Quais são as histórias de quem trabalha no balcão? Foi pensando no outro lado da moeda que criamos essa série, onde entrevistamos anonimamente funcionários do comércio de Jaraguá do Sul para que falem à vontade sobre situações que enfrentaram no seu dia a dia. Sente só o que rolou:

Comerciante 1 : “Feliz Ano-Novo pra você também”
camisaspilha“Trabalho em uma loja de roupas e o tratamento dos clientes é bem variado. A maioria é muito gente boa, são educados e simpáticos. Aí  a relação vira de amizade, mesmo. Tem os clientes que ligam na loja só pra saber se você está atendendo, pra ganhar a comissão. Só que tem algumas pessoas que chegam ‘mandando’, tratando os atendentes como se eles fossem escravos. A única vez que realmente perdi a paciência foi porque parecia que era uma provocação. Era o dia 31 de dezembro e a loja fechava às 13h. O cliente chegou às 12h50. Até aí tudo bem, comecei a atender normalmente, porque é um direito do cliente e meu trabalho servir bem. O homem começou a bagunçar todas as camisetas que estavam dobradas do tamanho P, sendo que sugeri o tamanho M para o tipo físico dele. Ele ignorou, continuou desdobrando uma por uma: todas as de tamanho P, todas as de tamanho G e todas as de tamanho GG. Menos a M que eu tinha sugerido. O horário de fechamento já tinha passado fazia tempo e eu percebi que ele só estava matando tempo. Depois, pediu para dar uma ‘olhadinha’ nas roupas femininas. Fiquei muito chateado, às vezes falta consideração com os vendedores, que também merecem ser bem tratados.”

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Comerciante 2: “Esclarecimento é cortesia”
controle“Trabalho em uma loja de eletrônicos. Às vezes é difícil vender alguns produtos como o video game, porque é a molecada que escolhe, mas quem paga são os pais. E é normal que alguns adultos (principalmente aqueles de origem humilde, que não têm muito contato com tecnologias) sejam mais resistentes a gastar dinheiro com isso. Uma vez foi engraçado: um menino comprou um Playstation Move (controle remoto que capta os movimentos dos jogadores e projeta na tela) enquanto o avô esperava do lado de fora. Quando ele soube que tinha custado R$ 300, ele surtou, chamando todo mundo de ladrão, mentiroso, que tínhamos enganado o neto dele e iria abrir um processo. Depois de explicar com muita calma o que era, ele decidiu testar o controle remoto. Acabou comprando mais um pra brincar com o neto e pediu mil desculpas porque nunca tinha visto aquilo na vida. Acho que trabalhando no comércio ficamos imunes a esse tipo de situação, temos que ter jogo de cintura, vender o que gostamos e pensar que nas situações difíceis não dá pra perder a linha, porque somos representantes de uma empresa, de alguém que ralou muito pra criar aquilo.”


Curiosidades: O perfil do consumidor jaraguaense
Uma pesquisa realizada em 2010 pela Unerj (hoje Católica de Santa Catarina) sobre o perfil do consumidor jaraguaense revelou que 18% dos entrevistados gostariam de poder fazer compras entre as 18h e 20h durante a semana, preferindo essa opção a comprar aos sábados de manhã e à tarde.

O levantamento coordenado pelo professor Francisco Reitz também apontou que, embora muitos consumidores desejem que o horário de atendimento seja estendido, isso não tem um grande impacto no número de pessoas que frequentemente vão a outras cidades para comprar: são apenas 7%.  O então presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas), Wanderlei Passold, comentou sobre a questão do atendimento (citada pelos entrevistados como um dos aspectos que deixava a desejar)  e necessidade de se promover a qualificação dos lojistas e empregados.