Por: Ricardo Daniel Treis | 4 anos atrás

Tava dando uma suada ontem quando lembrei dessa ideia de índio que rolou lá em 2004, tempo que meu condicionamento físico era regado a Smirnoff. Tendo reta final épica e tudo mais, essa ação é indubitavelmente merecedora da categoria “vale a pena ler de novo” (#hue).

Desde que começamos o Por Acaso sempre quis fazer alguma parada gonzo, e essa foi a oportunidade… 🙂

Confere só:

OS TRÊS NO TRIATHLON
“Que tal participarmos do triathlon da Impulso?” Essa foi a pergunta levantada em tom de brincadeira por Max Pires à seu colega de trabalho, o publicitário Ricardo Daniel Treis. Max e Ricardo escrevem a coluna quinta-feirina “Por Acaso”, no Jornal Correio do Povo. A resposta veio certeira: “Tá maluco?”. A loucura pegou, e com a intenção de criar uma matéria cômica para o sabor dos leitores jaraguaenses, a dupla convidou o também publicitário e editor da revista The Fato, Marcelo Wagner, que topou a idéia sem hesitar.

Os atletas Max "Flash" Pires (E), Ricardo "Daniel-San" e Marcelo "Slim" Wagner

Os atletas Max “Flash” Pires (E), Ricardo “Daniel-San” e Marcelo “Slim” Wagner

O teor da reportagem seria colher os resultados da participação de três sedentários à um evento esportivo como um triathlon. Mas o que aconteceu foi que ao fim das contas Marcelo e Max empolgaram-se com a idéia, e preparavam-se de forma tal que a impressão é de que participariam de um IronMan. Chegava a data do evento e os dois apresentavam um bom condicionamento, enquanto Ricardo só de pensar no assunto já ficava cansado. Chegado o dia do evento, o nervosismo era visível nos três, que começaram a analisar os demais participantes do evento, que beiravam o nível “pró”. A auto-análise da equipe, graduou-os a nível “havaiana-de-tira-arrebentada”.

Começa o evento com prova de natação, onde Marcelo, o escolhido para tal por seu “shape” e experiência, obtém o excelente resultado de 3º lugar nos 600 metros. Professores surpresos à parte, Max Pires assume seu papel altamente motivado, e sai para percorrer os 10km de bicicleta com o pensamento fixo na vitória. “Admito que pensei em desistir, mas era mico”, contou Max, exausto após chegar em 7º lugar na sua bateria.

Então chegou o momento da verdade para Ricardo, que ao receber bandeira verde para iniciar os 3.400m de corrida ainda pensou duas vezes. “Não force! Se não for conseguir, pode parar”, aconselhavam os professores da academia, preocupados com um possível enfarte por parte do participante. “Se queres perder o medo de algo, vai lá e faça-o!”. Com pensamento fixo nessa frase, Ricardo largou. Andando, mas largou. Correu um pouquinho, andou mais um montinho e assim foi… dos 3.400m do percurso, aproximadamente uns 200m devem ter sido corridos. “Doía a perna. Até conseguia correr, mas a dor impossibilitava”. Já não estivesse ruim a situação, o corredor ainda foi atacado quando completava sua primeira volta. Um seguidor amalucado do padre irlandês Cornelius Horan (aquele que agarrou na maratona das Olimpíadas de Atenas o brasileiro Vanderlei de Lima), agarrou o competidor, e terminou por comprometer totalmente o resultado final. “Precisava passar minha mensagem”, disse o lunático, que à frente carregava um cartaz escrito “O fim está próximo”, e às costas “Vendo Corcel 78″.

tnt02

Ao perceber a distância considerável que o penúltimo candidato abria, Ricardo reuniu todas suas forças e numa impressionante explosão de energia correu. Correu até o ponto de táxi mais próximo, embarcou e disse “Meu bom homem, toca pra Impulso!”. “Mas você não está correndo?”, disse o taxista surpreso, “Estou! Mas agora a corrida é sua. E passa buzinando por aquele cara correndo alí”. E com Ricardo cruzando a linha de chegada de táxi foi que a prova teve seu desfecho. Para o trio, o que restou foi, além do último lugar geral e desclassificação, um monte de história para contar. Ano que vem darão um “repeteco”. Ricardo promete esforçar-se mais. Quem sabe ele já faça a largada de táxi e nos poupe de tanto suspense.


Texto meu (bizarramente escrito em terceira pessoa) para a participação do Por Acaso na edição #09 da Revista The Fato, em 2004. O evento foi no dia 17 de outubro daquele ano. Até hoje não lembro quem me emprestou a grana pra pagar o taxista…