Por: João Marcos | 6 anos atrás

Quando a UNE conquistou para os estudantes o direito de pagar metade do preço nos eventos culturais, ainda na década de 1940, foi uma vitória. Mas o benefício acabou se tornando um fardo para quem paga inteira.

A conta é simples: o produtor sabe quanto quer ganhar e estima que 80% vai entrar pagando meia; cabe aos outros 20% cobrir o prejuízo. “Como a maioria paga metade, o preço tem de subir para a conta fechar”, diz Adhemar Oliveira, responsável pelos cinemas Unibanco Arteplex. No teatro não é diferente. “Sempre calculamos antes quantos vão entrar pagando meia para depois definir o preço da inteira”, conta o diretor da Associação dos Produtores de Espetáculos Teatrais de São Paulo (Apetesp), Paulo Pélico.

As projeções mostram que, se a meia-entrada não existisse, o preço do ingresso inteiro cairia para quase a metade. Com a diferença de que valeria oficialmente para todo mundo.

Talvez isso explique o alto valor cobrado em shows, festivais, peças teatrais e tudo mais que ocorrem pelo país. Sou estudante e uso frequentemente esse benefício, não tenho do que reclamar. Mas meu, parando pra pensar que eu estaria pagando o mesmo valor junto com os outros caso isso não existisse, é de parar pra pensar.