Por: Ricardo Daniel Treis | 09/01/2013

SAIR À FRANCESA: “Sair sem se despedir, nem mesmo dos anfitriões; sair sem aviso prévio, sem ser notado”.

Tava lá eu no fim de ano zapeando pela TV quando bato de frente com “Três Solteirões e Uma Pequena Dama” passando nalgum canal naftalina. Numa das cenas a anfitriã, que mora numa casa britânica, é importunada pelo mordomo algumas vezes, que a avisa que convidado tal está indo embora e a censura por não ir despedir-se de imediato. Pensei: “Essa é uma saída à inglesa então?”

Franceses e britânicos têm uma rivalidade nata, e na hora associar o comportamento oposto fez sentido, sendo que a expressão pode ter sido criada como provocação. Lembrando de fazer uma busca pela origem da expressão “sair à francesa”, hoje fui ver se minha dedução estava precisa nalgum aspecto – e não errei muito. Fiz a pesquisa por vária referências confiáveis, nenhuma deu resposta exata, porém duas origens fizeram bastante sentido… Reproduzo:

1) MILITAR
É provável que a expressão tenha sido dita pela primeira vez durante a Guerra dos Sete Anos (1756-1763), quando as principais potências européias se enfrentaram, encabeçadas de um lado pela França e do outro lado pela Inglaterra. Originada no lado britânico, era utilizada para humilhar soldados que abandonavam seu posto sem avisar ninguém. A França também têm expressão parecida, que coincidentemente é “Sair à inglesa”.

2) ETIQUETA
No seu Dicionário das Origens das Frases Feitas, Orlando Neves diz o seguinte acerca : “Nem sempre despedirem-se as pessoas umas das outras, em qualquer reunião, foi considerado cortesia, educação, delicadeza. Em França, no século XVIII, quem, pretendendo abandonar uma sala repleta de gente, fosse despedir-se dos convivas cometia um acto importuno, ao incomodar pessoas embrenhadas em conversas, passatempos, jogos ou amores agradáveis. Daí que se ‘saísse à francesa’, isto é, sem cerimónia, sem aviso prévio, sem dar conhecimento a ninguém. O costume generalizou-se por toda a parte, até que, mais tarde, veio a adquirir um sentido oposto, ou seja, de descortesia e falta de educação.”