Por: Anderson Kreutzfeldt | 4 anos atrás

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Desde a divulgação de uma pesquisa nacional acerca dol tema “estupro“, o assunto acabou tomando conta das redes sociais. Tal infame pesquisa revelou que a maior parte dos brasileiros acreditam que as mulheres são responsáveis por sofrerem abusos sexuais. Pois é… Pode acreditar, estamos  no século XXI, mas uma parte generosa da população continua acreditando que estamos em 1.500 a.C.

Evidentemente, as mulheres não ficariam caladas diante das falácias e iniciaram uma campanha (de três dias, que começou com uma foto da organizadora, a jornalista Nana Queiroz). Rapidamente, milhares de pessoas aderiram ao pedido de “chega de violência sexual”. Quer saber o que é ainda mais inacreditável? Além do apoio de causa vindo de homens, mulheres e famílias inteiras, vieram na mesma proporção e com a mesma força ataques e ofensas (inclusive, algumas que se encaixam na definição de ameaça).

“Cinco minutos depois eu já tinha uma ameaça de estupro, dez minutos depois eu já estava num site pornô pedindo para ser estuprada, minha foto manipulada. Eu estava com os braços escritos – ‘não mereço ser estuprada’. Eles apagaram o ‘não’ – e colocaram ‘mereço ser estuprada’”, conta a jornalista.

Na pesquisa, 61,5% dos entrevistados disseram que as mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas e 58,5% afirmaram que se as mulheres soubessem se comportar haveria menos estupros. Outro fato inacreditável: as mulheres constituíram mais da metade dos entrevistados para a pesquisa.

Dentre as mensagens agressivas, algumas defendem a prática do crime de estupro. Um deles deixou a jornalista, particularmente chocada: num perfil, que já foi apagado, um homem disse que já tinha cometido o crime e faria de novo. Ela decidiu dar queixa na Delegacia da Mulher. E espera que os responsáveis sejam localizados e punidos. A campanha começou como reação aos resultados de uma pesquisa do Ipea – o Instituto de Política Econômica Aplicada: 3.800 pessoas foram ouvidas em todo o país.

O coordenador da pesquisa do Ipea disse que a principal conclusão que pode ser tirada com o estudo foi de que a sociedade brasileira está impregnada por uma cultura machista e desumana:

“A primeira coisa que temos que fazer, acredito, é trazer à tona esse problema que muitas vezes está escondido embaixo do tapete, está encerrado entre quatro paredes e falar para a mulher o seguinte: que ela não é culpada, ela é sempre a vítima. E por que isso é importante? Porque centenas de vítimas simplesmente não vão prestar queixa à polícia, porque elas vão achar que elas que na verdade fizeram alguma coisa, que facilitaram e vão ser mal vista na sociedade”, disse o pesquisador.

Para fazer o estudo, os pesquisadores tiveram acesso a dados que mostraram que mais de 500 mil pessoas por ano são vítimas de estupro no Brasil. Sofrem, inclusive, estupros coletivos e a polícia só toma conhecimento de 10% desses casos. Das mulheres que aderiram à campanha que pede, na internet, o fim da violência sexual, centenas contaram ter sido ameaçadas. 

“Acorda, garota, seu corpo é seu, você fazer o que quiser com ele. Você pode usar saia curta, você pode usar burca, você ser religiosa ou ateia, se vestir conforme suas crenças. Ninguém tem direito de te violentar por isso”, conclui Nana.

Fonte: Fantástico