Por: Raphael Rocha Lopes | 15/01/2013

Reputam a Voltaire a seguinte frase (mais ou menos assim): “Posso não concordar com o que falas, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-las”.

Começo lembrando o filósofo iluminista francês por conta da celeuma criada em volta da opção do prefeito suljaraguaense de ir de ônibus para o paço municipal. Ouvi e li muitas coisas, das quais várias discordo frontalmente – e não por fazer parte do governo, pois quem me conhece, sabe da minha independência de pensamento. Mas respeito todas as opiniões.

Alguns julgaram o uso do transporte coletivo pelo prefeito como demagogo. Outros, que é incoerente, pois aparentemente gastaria mais com passagem do que com combustível, se fosse com o próprio automóvel.

Curiosamente, se políticos estrangeiros resolvem ter vidas austeras, são respeitados por lá e invejados/comparados por cá. Se políticos tupiniquins fazem o mesmo, têm algum interesse por trás. A velha história da grama do vizinho ser sempre mais verde. Já escrevi sobre essa sensação de inferioridade arraigada em algumas pessoas, o que pode ser revisto aqui.

O prefeito não precisa de ninguém que fale por ele, mas trago minhas impressões aos caros leitores sobre a situação. Não é necessário ser nenhum gênio para saber que as suas intenções vão além da economia – até porque, como já dito, é bem provável que isso não ocorra.

Então pergunto: qual a melhor maneira de ouvir o povo se não andando em seu meio? Se o chefe do executivo municipal não pode fazer isso todos os dias por razões óbvias, por que não ir ao trabalho vez ou outra de ônibus? Além disso, poderá, nestas ocasiões, sentir na pele o que o trabalhador sente todos os dias. A primeira repercussão positiva já ocorreu: a concessionária finalmente colocou no terminal um posto para compra dos cartões de passagens, facilitando a vida do usuário.

É óbvio, também, que nestas viagens relativamente curtas o prefeito não descobrirá e nem sentirá todas as agruras do trabalhador, e nem achará a panacéia para o sistema viário. Contudo, indiscutivelmente, é um começo. Alguns secretários e diretores também estão seguindo o exemplo, o que faz com que a abrangência da observação seja muito maior. O próprio povo, cansado de falar e nunca ser ouvido, trará, agora, suas reclamações e sugestões. É, sem dúvida, uma corrente do bem, que tende a ser potencializada se as pessoas sentirem confiança no trabalho que está só começando.

E para que não falem, ainda, que também sou um oportunista, deixo um texto que escrevi sobre trânsito e foi publicado em 19.01.2011, ou seja, há quase dois anos, encerrando assim: “Assim, enquanto a administração não traz as soluções devidas, nós cidadãos e eleitores podemos fazer a nossa parte. Quem sabe qualquer hora dessas encontramos a prefeita no ponto de ônibus…”

Em tempo: é importante que se diga que ouvi muitos mais elogios ao prefeito do que críticas negativas.