Por: Ariston Sal Junior | 05/05/2014
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STAPHYLOCOCCUS AUREUS, BACTÉRIA QUE CAUSA INFECÇÕES NA PELE E É RESISTENTE A VÁRIOS TIPOS DE ANTIBIÓTICOS (FOTO: WIKIMEDIA COMMONS)

Um relatório divulgado pela Organização Mundial de Saúde alerta: estamos nos aproximando de uma era perigosa para a humanidade, em que doenças e e infecções que sempre foram tratadas de maneira eficiente com antibióticos voltarão a ser letais. O motivo: as bactérias estão cada vez mais resistentes a agentes antibióticos.

A OMS até sugere um sistema de vigilância para monitorar o crescimento da imunidade de certas bactérias a antibióticos. O relatório mostra que dados de 129 países indicam que essa resistência tem crescido no mundo todo, principalmente por causa do uso excessivo de antibióticos na agricultura e em hospitais, que está criando bactérias super resistentes através da seleção natural.

Keiji Fukuda, diretor-assistente de segurança da saúde da OMS, diz que a era pós-antibiótica é uma possibilidade muito real ainda para o século 21. O mais surpreendente é que o relatório descobriu um crescimento na resistência a um antibiótico de último caso, usado quando mais nenhum funciona: os carbapenêmicos. Quase não há alternativas para esse antibiótico sendo desenvolvidas.

Outra preocupação é que não há nenhum orgão ou força-tarefa monitorando o crescimento de micróbios resistentes, ou seja, falta organização para identificar o problema – que é mundial, e não se limita a um ou outro país – e pensar em estratégias para evitar o pior.

“Precisamos escutar, disseminar e atuar sobre a mensagem deste relatório, que demonstra que se não atuarmos, entraremos uma era na qual os antibióticos que usamos durante décadas para tratar e curar infecções comuns deixarão de funcionar”, disse a diretora da Organização Pan-Americana de Saúde, Carissa Etienne.

O relatório recomendou que os pacientes usem antibióticos somente quando forem receitados por um médico, que façam todo o tratamento prescrito mesmo quanto já se sentirem melhor, e não deem a outras pessoas seus antibióticos nem utilizem as sobras de receitas anteriores.

Via Revista Galileu