Por: Gabrielle Figueiredo | 1 ano atrás

De vez em quando a gente se depara com umas histórias que mostram como o mundo é pequeno e cheio de coincidências, não é? Então olha só essa uma que aconteceu essa semana aqui em Jaraguá do Sul, foi compartilhada pela Letícia Gabriela no Facebook dela:

Preciso compartilhar com vocês uma história que me deixou bem feliz hoje pela manhã, e que me deixou chocada com aquilo que a gente chama de ‘coincidência’.

Eu estava na Escola Musuca trabalhando quando chegou o aluno das 9h45, um garoto querido e falante de 11 anos que faz aula de bateria (♥)… Ele chegou uns minutos antes de começar a aula, então ficamos conversando na recepção. Perguntei quais eram as bandas que ele gostava e ele disse que não tinha nenhuma banda específica que ele gostava muito, mas ‘curtia’ rock. Aí como não sou boba já aproveitei e perguntei se ele conhecia Pearl Jam, ele disse que não e eu mostrei uma música pra ele. Enquanto a música tocava ele reconheceu e disse que o pai dele escutava no carro as vezes.

Um pouco depois ele foi pra aula e eu fiquei na recepção conversando com duas mães que vieram trazer seus filhos pra fazer aula experimental de bateria, falamos sobre música no geral, sobre a dificuldade de ser reconhecido por ela.

Acabamos entrando no assunto Pearl Jam outra vez, falei que era o que eu mais gostava de ouvir e uma das mães começou a rir porque lembrou que 11 anos atrás um homem vendeu o próprio fusca pra poder ir ao show do Pearl Jam, ela comprou. Achei a história incrível.

Depois disso ela saiu por 5 minutos pra estacionar o carro um pouco mais perto da escola e o pai do aluno que eu havia conversado no início da história chegou pra aguardar o filho. A mulher voltou e notei que eles se olhavam com uma expressão um pouco desconfiada, como se já se conhecessem, mas ninguém falava nada. Aí vocês já podem imaginar o que estava acontecendo.

Puxei assunto com o pai e disse que o filho dele havia dito que ele ouvia Pearl Jam no carro às vezes… Ele me disse que gostava bastante da banda. Nesse momento a mulher não aguentou e perguntou “Ei, por acaso você não me vendeu um fusca 11 anos atrás pra ir ao show do Pearl Jam?”. Era ele! O homem riu, sorriu e a reconheceu.

11 anos depois eles se reencontraram. Minutos depois de ela contar essa história pra duas pessoas estranhas o cara apareceu. E lá estavam os dois, com várias lembranças do fusca, da negociação e do show.

Se é coincidência eu não sei, mas as pessoas não mentem quando dizem que a vida é como uma caixinha de surpresas.

Fala sério, qual a probabilidade? Espantados com tamanha coincidência, fomos atrás do tal vendedor pra apresentar pra vocês, mas ele preferiu ficar anônimo.

O show em questão foi em 2005, em Curitiba, a primeira vez que o Pearl Jam veio ao Brasil, e a única vez que Pedro* viu a banda ao vivo.

O carro que ele vendeu era um Fusca 68, original, vermelho com as portas laranja. “Eu precisava pagar algumas contas e queria muito ir ao show, então juntei o útil ao agradável”, relembra.

volkswagem-fusca-13-1968

Como a gente imagina o fusca…

Hoje, Pedro* confessa que se arrepende um pouco em ter vendido o carro, principalmente pelo preço que foi – em torno de R$2,700. “Sinto bastante saudade, mas não me arrependo de ter ido no show”, conta.

Sobre o fato, ele disse que começou a reconhecer a mulher, mas nem ia comentar nada. “Eu nem lembrava que tinha falado pra ela sobre o show. Fiquei surpreso”, explica.

E sobre as coincidências da vida ele admite: “Estou acostumado com algumas coisas assim, então nem me surpreendo mais, mas este foi realmente inesperado”, finaliza.

* nome fictício