Por: Gabriela Bubniak | 10/08/2017

Ahh, não tem como não se emocionar e revoltar com a terrível tragédia de Hiroshima e Nagasaki em 1945. Infelizmente essa é uma história real, e a extensão da destruição é resumida pelos inúmeros relatos do terror, um número absurdo de mortes e pelas imagens que documentam aquelas duas manhãs de 6 e 9 de agosto. 🙁

Este ano fazem 72 anos do ataque e, para não deixar de homenagear as vítimas que sofreram na época, a gente fez uma simulação de qual seria o estrago se as bombas tivessem caído em Jaraguá do Sul.

Uma ferramenta disponibilizada pela ONG norte-americana Public Radio International (PRI), nos ajudou a ter uma noção mais palpável de como foi a tragédia, simulando-a em nossa realidade. E, sim, nós “jogamos uma bomba nuclear” em Jaraguá!

Nesse site, é possível “jogar” a bomba em qualquer cidade do mundo e analisar a sua devastação com base em perímetros de risco semelhantes aos do evento no Japão.

O que a gente pode adiantar é que o resultado é assustador! Segundo a ferramenta, os estragos se estenderiam em um raio de 19 quilômetros, o que afetaria também os municípios da região.

Estragos no marco zero

Colocamos a bomba – simbolicamente, claro – no marco zero do município, ali na praça Ângelo Piazera. Nessa região, com  um raio de 0,5 milha (800 metros), 90% das pessoas morreriam carbonizadas instantaneamente pela explosão. Os sobreviventes teriam queimaduras tão severas, que teriam pouquíssimas chances de sobreviver a longo prazo. Mulheres grávidas sofreriam aborto espontâneo por conta da radiação descomunal.

Essa área compreende lugares bastante frequentados pelos jaraguaenses, como: o Jaraguá do Sul Park Shopping, o Hospital e Maternidade Jaraguá, Scar, Sesc, o supermercado Fort Atacadista, Clube Atlético Baependi, Hospital São José e até o Museu WEG.

Raio de 1,6 quilômetros

Neste cenário, 80% das pessoas morreriam queimadas e todas as casas e prédios seriam destruídos pelo enorme deslocamento de ar em alta velocidade e temperatura que a explosão causaria.

Este trecho compreende: lugares como a empresa Duas Rodas, o QG aqui do Por Acaso, a Arena Jaraguá, e as Delegacias da Polícia Civil.

Raio de 4,8 quilômetros

Neste perímetro há mais chances de sobreviver à explosão, mas o deslocamento de ar ainda seria severo. Os riscos de ferir-se gravemente com os desabamento de imóveis seriam enormes. A onda de calor levaria poucos segundos para varrer esta área, o que tornaria fugir praticamente impossível.

O trecho compreende: as empresas WEG e Metalnox, além também do Morro das Antenas, a Arena Jaraguá, e a faculdade Católica de Santa Catarina.

19 quilômetros

Uma área que vai do bairro Corticeira, de Guaramirim, até o Seminário Sagrado Coração de Jesus, em Corupá, e das proximidades da Estrada do Rio do Júlio, em Schroeder até o Pesque e Pague do Dori, em Massaranduba.

Neste perímetro, as casas estariam seguras, mas teriam os vidros todos quebrados. O risco para os humanos, neste cenário, seria se ferir com os estilhaços.

Outros simuladores

O simulador é fácil de usar, mas está disponível apenas em inglês. Quem quiser testar pode acessar gratuitamente a ferramenta, que segundo a ONG foi desenvolvida para manter viva a preocupação com os riscos nucleares.

Outro simulador disponível na web, este desenvolvido pelo cientista Alex Wellerstein, do Stevens Institute of Technology, permite cálculos ainda mais precisos e com a possibilidade de conhecer o estrago causado por outras variedades de bombas — incluindo a mais potente do mundo, de hidrogênio.

Fonte: Gazeta do Povo