Por: Ricardo Daniel Treis | 22/04/2016

Um dos mantras do capitalismo é “criar dificuldades para vender facilidades”. Nem sempre é fácil. Pegue-se, por exemplo, a necessidade de manter os dentes livres de sujeira, fiapos e outros resí-duos nojentos. Para resolver esse problema prosaico, a humanidade passou a maior parte de sua história se virando com gravetos, espinhos, ossos e lascas de bambu. Diante da oferta de gêneros tão variados – muitos até gratuitos –, como alguém nos convenceu de que precisávamos comprar um apetrecho específico para a higiene bucal?

A resposta: com propaganda em quantidade e qualidade. Abusando desse ingrediente, o americano Charles Forster tornou-se o primeiro fabricante de palitos de dentes em escala mundial. Durante uma viagem a Pernambuco (dê uma olhadinha nos Grandes Momentos), ele ficou fascinado pelos belos dentes das brasileiras. O segredo é que elas faziam a higiene bucal usando palitos de salgueiro, uma árvore de galhos longos e finos (escovas de dentes já existiam, mas seu uso ainda era muito recente e pouco divulgado).

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Percebendo que poderia monopolizar um mercado que nem existia, Forster contratou um inventor para criar uma máquina que produzisse lascas de madeira uniformes. Em 1870, sua fábrica já produzia palitos bons e baratos, a uma quantidade superior a 1 milhão por dia. Faltava vender aquela tralha toda. Sua tática foi tão engenhosa quanto simples: contratou rapazes e garotas estudantes da Universidade Harvard para irem comer no restaurante mais descolado de Boston, o Union Oyster House, e em seguida pedir em voz alta: “Por favor, palitos! Não tem? Mas como?” Depois de alguns dias, bela coincidência, Forster entraria no lugar oferecendo sua mercadoria. O cara não parava por aí: quando vendia um lote de palitos, o negociante mandava pessoas ir comprá-los. E aí os revendia novamente, aumentando ao mesmo tempo a oferta e a procura.

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Artigo por Ayrton Mugnaini Jr. – Revista Super