Por: Ricardo Daniel Treis | 9 anos atrás

A vitória de 3 a 2 sobre o Atlético/IB quarta-feira, na casa do adversário, marcou de forma honrosa o fim da trajetória do Juventus no Catarinense. Agora, é planejar os próximos passos do clube. O técnico José Esdras, hoje à noite, reúne-se com o presidente Ildo Vargas. Na pauta do encontro, a possível promessa de que o treinador será lembrado se houver patrocínio para a disputa da Copa Santa Catarina, que começa no dia 9. “Futebol sem dinheiro não dá. Nunca mais faremos esta loucura de disputar um campeonato sem recursos. Confesso que, muitas vezes, me senti um mendigo, correndo de porta em porta para conseguir dinheiro. É muito triste, não preciso disso”, admite Vargas.

Pessoas ligadas ao clube contam que o Juventus arrecadou com patrocínio de camisas, placas de publicidade, contribuição de conselheiros, cota de exibição dos jogos na TV pouco mais de R$ 230 mil, mas gastou cerca de R$ 450 mil para disputar o Estadual. Fechou a competição com um déficit de R$ 220 mil.

A renda dos jogos não amenizou o rombo. Com uma fraca campanha, o clube arrecadou em média R$ 8 mil por jogo no estádio João Marcatto. Por causa de pendências judiciais, cerca de R$ 5 mil já ficava com o oficial de Justiça, sobrando pouco mais de R$ 3 mil. Dinheiro insuficiente para folha de pagamento dos atletas e dos funcionários, despesa de viagem, alimentação e hospedagem nas partidas fora de casa.

Além da falta de dinheiro, Ildo Vargas convive com outros dois problemas. A partir de hoje, o time terá um mês exato para se preparar para a Copa Santa Catarina e escolher a nova diretoria no dia 5 de maio. Nenhum candidato ou chapa foi inscrita para as eleições. Ildo já pensa até encaminhar um ofício à Federação Catarinense de Futebol (FCF), comunicando a desistência do time da Copinha e do Estadual de Juniores. “Sinceramente, isto não está descartado. Seria uma pena porque se isto ocorrer a cidade ficará três anos sem futebol profissional”, diz Vargas.

Diante da incerteza, um grupo de torcedores do clube, liderados pelo presidente da Organizada Raça Tricolor, Raimundo Pereira, o Xororó, já prepara uma mobilização para evitar que o Juventus feche definitivamente as portas. “Não acredito que numa cidade como a nossa ninguém se disponha a assumir um clube que é de todos”, lamenta Xororó. O grupo é favorável à volta de Alcir Pradi, Helinho da Karlache e Lio Tironi no comando do Juventus.

“Pessoas como o Alcir demonstraram amor ao clube enquanto ficaram lá entre 2004 e 2008 e não seria nada mal a volta dele e de outros diretores da antiga gestão”, sugere.


Via AN