Por: Sistema Por Acaso | 8 anos atrás

armando_nogueira

Foi numa manhã fechada pela neblina.
Saí daqui do condado jaraguaense com o pensamento certo de que o voo para São Paulo seria cancelado.
No aeroporto de Joinville a situação não era diferente, mas fomos chamados para a pequena sala de embarque.
Depois de percorrer a pé o trajeto até a escada da aeronave, percebi que o homem grisalho à minha frente tinha fisionomia conhecida.
Relutei em abordá-lo. O homem era um ícone. Mas, como nunca fui de tietagem, resisti.
A fila andou. Os passageiros subiram à escada.
O velho permanecia na minha frente, não havia espaço para ultrapassagens inconvenientes.
De repente, no corredor, a sequência humana parou novamente.
Aí o indaguei pelo nome:
– Seu Armando? Bom dia, sou o Marcelo.
O homem que trabalhou na cobertura de 15 Copas do Mundo respondeu com um sorriso:
– Bom dia jovem.
Falei o que eu queria lhe dizer:
– Assisti ao documentário “Pelé Eterno” no cimena. Parabéns pelo texto do filme, ficou ótimo como sempre.
O senhor grisalho agradeceu. E nos despedimos, antes da partida do Focker 100, aquele que era campeão em pousos forçados.

Ontem, quando li a notícia do falecimento do jornalista Armando Nogueira, lembrei imediatamente do nosso encontro.
Foi pelo noticiário que fiquei sabendo que ele chefiou a equipe de criação do JN, na época da ditadura.
Eu só conhecia o trabalho do Armando Nogueira na crítica esportiva. Ele foi o poeta do esporte, seu texto era agradável, chegava primeiro à alma, depois era percebido pelos nossos sentidos.

Sobre o Rei do Futebol escreveu: “Lá vai Pelé pintando e bordando, tocando a bola e trocando com ela mil confidências que os parceiros de jogo não adivinham jamais”.

Marcelo Lamas, escritor.
marcelolamas@globo.com

Pelé Eterno (Universal, Brasil 2004) Documentário, Classificação Livre, 121 minutos, Diretor Anibal Massaini Neto.