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Dois novos tremores de terra na localidade de Tifa Theilacker, no bairro Três Rios do Norte, em Jaraguá do Sul, provocaram pânico nos moradores. Técnicos da Defesa Civil, do Departamento de Geociência da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e do Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres (Ceped) visitaram o local ontem para colher dados e emitir laudo sobre o que tem causado os tremores.

O geógrafo da UFSC José Henrique Vilela fez uma comparação: ele disse que os relatos dos moradores do morro em Jaraguá são parecidos com os que escutou dos moradores do Morro do Baú, em Ilhota, onde morreram 41 pessoas soterradas em 2008. “Esse tipo de movimentação já foi percebida no Baú dois ou três dias antes da tragédia. Mas isso não quer dizer que o mesmo possa ocorrer em Jaraguá. Não significa que o morro corre risco de deslizamento. Isso é o que vamos saber com as análises”, disse Vilela.

O professor do Departamento de Geociência Joel Pellerin disse que os relatos dos moradores são interessantes e não há nada registrado em literatura científica sobre isso. “Vamos tentar entender o que ocorreu, mas a hipótese de colapso do solo é mesmo a mais provável”, disse Pellerin. Ele destacou que o tremor, acompanhado de barulho, é comum em situações de acomodação da terra.

Um diagnóstico completo sobre os tremores e a situação do solo deve ficar pronto somente hoje. Porém, por volta das 17 horas de ontem, enquanto os técnicos ainda realizavam vistorias, o engenheiro da Defesa Civil Ronis Bosse disse que nenhuma fenda ou deslizamento havia sido encontrado.

Além de reunião, os técnicos da UFSC sobrevoaram o local. Depois, caminharam pela região para tirar fotos e obter amostras do solo. As condições dos morros, encostas e rochas próximas foram avaliadas. Tudo isso fará parte de um diagnóstico que vai dizer duas coisas: primeiro, se há risco de o morro deslizar e com isso haja necessidade de retirada das famílias; e segundo, qual a real origem dos tremores e estrondos.

Os tremores de terra ocorridos na madrugada de segunda-feira não foram registrados pelos principais centros sismológicos do País. Para o Observatório da Universidade de Brasília (UnB), o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG), o chacoalhão em quatro bairros de Jaraguá do Sul passou em branco.

Os medidores ficam longe demais de Jaraguá do sul. Os dados dos novos tremores de segunda-feira devem sair apenas amanhã.

Via AN.