Por: Ricardo Daniel Treis | 6 anos atrás

De vez em quando a vida vem e te dá um soco na cabeça.

Banco calçadão Jaraguá

Ontem, 22h45, saí aqui do QG e me deparei com uma cena deplorável no calçadão. Estava lá, nesse banco aí de cima, um catador de latas apoiado no encosto com a cabeça, prostrado de joelhos no chão, tentando num esforço ridículo ficar de pé. Os pedestres passavam rindo da situação. Haviam várias latas amassadas ao redor dele, espalhadas pelo chão; o homem tremia e balbuciava o ininteligível para a lixeira próxima. “Bêbado”, pensei acusando, e segui caminho. Consegui dar cinco passos, parei, com a consciência pesando. A situação do cara estava tão vergonhosa que ele não poderia ser deixado assim. Ademais, ele estava mal pacas, precisava de um leito.

*191
– Polícia Rodoviária Federal, boa noite.
– (D’oh!) Ah, desculpe, queria contato com o Samu…
– É 192, senhor.

*192
– Boa noite, queria solicitar atendimento a um morador de rua. Parece horrivelmente embriagado, está a ponto de entrar em coma.

Me fizeram algumas perguntas, e poucos minutos depois uma viatura e a ambulância apareceram na curva. Descem os paramédicos, sentam o homem e conversam com ele. Estava mais lúcido que deveria. “Não tem hálito de álcool” disse o paramédico.

Neste momento o Sr. Waldomiro está sob observação no PA. Fez uma tomografia ontem e agora aguarda a chegada do neurocirurgião, Dr. João, para que sua condição seja diagnosticada.

Achei que estava ajudando um bêbado, na verdade posso ter salvo uma vida ontem.

Soco na cabeça.