Por: Ricardo Daniel Treis | 4 anos atrás

De vez em quando a vida vem e te dá um soco na cabeça.

Banco calçadão Jaraguá

Ontem, 22h45, saí aqui do QG e me deparei com uma cena deplorável no calçadão. Estava lá, nesse banco aí de cima, um catador de latas apoiado no encosto com a cabeça, prostrado de joelhos no chão, tentando num esforço ridículo ficar de pé. Os pedestres passavam rindo da situação. Haviam várias latas amassadas ao redor dele, espalhadas pelo chão; o homem tremia e balbuciava o ininteligível para uma lixeira próxima. “Bêbado”, pensei julgando, e segui caminho. Consegui dar cinco passos e parei, com a consciência pesando. A situação do cara estava tão vergonhosa que ele não poderia ser deixado assim. Ademais, ele estava mal pacas, precisava de um leito.

*191
– Polícia Rodoviária Federal, boa noite.
– (D’oh!) Ah, desculpe, queria contato com o Samu…
– É 192, senhor.

*192
– Boa noite, queria solicitar atendimento a um morador de rua. Parece horrivelmente embriagado, está a ponto de entrar em coma.

Me fizeram algumas perguntas, e poucos minutos depois uma viatura e a ambulância apareceram na curva. Descem os paramédicos, sentam o homem e conversam com ele. Estava mais lúcido que deveria. “Não tem hálito de álcool” disse o paramédico.

O problema era maior. Neste momento, o Sr. Waldomiro está sob observação no PA. Fez uma tomografia ontem e agora aguarda a chegada do neurocirurgião, Dr. João, para que sua condição seja diagnosticada.

Achei que estava ajudando um bêbado, mas na verdade uma vida possa ter sido salva.

Soco na cabeça.


Repost de artigo publicado originalmente em 9 de março de 2012.