Por: Max Pires | 7 anos atrás

Sapato

A moda entre os vaqueiros de Matehuala, uma cidade bem rural no nordeste do México, é usar um sapato com um bico tão grande que chega a enrolar e atingir a altura do joelho. O que pode parecer bizarro para nós, é perfeitamente normal e fashion – falei bonito agora – para o pessoal que vive por lá.

Quem quer ser descolado precisa de um sapatão desses. Nas baladas, a mulherada só dança com quem usa o modelito. “Na primeira vez que eu vi os sapatos, não gostei. Mas acabei usando. Ninguém queria dançar comigo na balada”, conta o estudante Pascual Escobedo, que agora tem um sapato rosa coberto de glitter.

A moda do sapatão coincidiu com outra mania: a de dançar em grupos na balada, em uma espécie de competição. As “tribos” bolam coreografias com o tal sapato e disputam prêmios em dinheiro, enquanto dançam ao rítmo de uma música que mistura eletrônica com sons típicos indígenas. Enquanto os homens dançam, as mulheres gritam, histéricas, como se estivessem assistindo a um show de um ídolo pop.

E não são só as solteiras que curtem um sapatão. Laura Soto, de 36 anos, por exemplo, convenceu o marido a comprar um par de sapatos azuis e prateados decorados com estrelas. “Ele fica mais sexy neste sapato, porque parece que ele tem mais audácia”, garante.

O surgimento da moda do sapatão é contado por meio de uma lenda, que, dizem ser verdadeira. Um dia, um sujeito chamado “Cesar de Hiuzache” mostrou a foto de um sapato bem bicudo para o sapateiro Dario Calderon. O bico media 60 centímetros, mas ele pediu um par que medisse 90 centímetros.

Ressabiado, Calderon fez os sapatos e entregou ao estranho, que os calçou em uma balada local. Vestido com um lenço que cobria seu rosto, Cesar fez sucesso e, do nada, novos pedidos brotaram na sapataria de Calderon e a moda, então, surgiu. E ai de quem achar brega.

Via UOL.