Por: Sistema Por Acaso | 3 anos atrás

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As bebidas tipo néctar, sabores uva e laranja, passarão a ter mais suco da fruta a partir deste sábado, quando expira o prazo de adequação paras as fabricantes à nova regra do Ministério da Agricultura (Mapa). O percentual mínimo de suco nessas duas bebidas passará de 30% para 40%. Em 31 de janeiro de 2016, a quantidade subirá para 50%. A decisão foi assinada pelo então ministro da Agricultura, Antônio Andrade, e publicada no Diário Oficial da União de 12 de setembro de 2013, por meio de uma Instrução Normativa (IN). A indústria teve mais de um ano para se adaptar. A partir de abril também passará a ser obrigatória a informação do percentual de suco no rótulo da bebida.

A mudança atende a um pedido dos produtores das duas frutas e servirá para diferenciar o néctar do refresco, cujo mínimo de suco permancerá em 30%. Até agora, as bebidas tipo néctar são vendidas, em geral, a preços mais elevados do que os refrescos, mas não são obrigadas a ter mais suco da fruta do que estes últimos, explica o coordenador geral de Vinhos e Bebidas do Mapa, Helder Moreira Borges.

— O consumidor vai ter uma opção intermediária de produto com maior valor nutritivo e agregado no mercado. Quanto mais suco da fruta, maior o valor nutricional — ressalta Borges.

Além dos refrescos e dos néctares, o outro tipo de bebida encontrada no mercado é o suco integral, que tem em sua composição 100% de suco de fruta. Refrescos e néctares são compostos, ainda, por água e outros componentes como aditivos e corantes, em quantidades diferenciadas, dependendo da quantidade de suco.

Questionado a respeito da possibilidade de a exigência elevar o preço ao consumidor dos néctares, Borges ressaltou a inviabilidade de se tabelar preços e garantiu que o próprio mercado se autorregulará:

— O consumidor é quem vai mostrar se está disposto a pagar mais, se for o caso, por um produto com maior valor nutritivo.

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Quando da publicação da IN, o então diretor do departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal do Mapa, Ricardo Cavalcanti, explicou que a decisão de escalonar o prazo de aumento da quantidade de suco nos néctares foi tomada em audiência pública que reuniu todos os segmentos das cadeias produtivas da uva e da laranja.

Procurada para comentar sobre as novas regras, a Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas (Abir) limitou-se a informar, em nota, que todas as indústrias de néctares já se adaptaram e estão ou estarão, até este sábado, produzindo os dois sabores de néctares com 40% de suco em suas fórmulas. Segundo a associação, o objetivo da nova regra é fomentar o negócio de produtores de uva e laranja, assim como os dos fabricantes dos respectivos sucos.

Ideal é consumir suco natural da fruta

Ana Paula Bortoletto, nutricionista do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), alerta que, apesar de a adição de mais suco conferir maior valor nutricional à bebida tipo néctar, ela é considerada pelo Ministério da Saúde um alimento ultraprocessado. E, por isso, deve ser ingerida com controle, principalmente por crianças, já que possui alto teor de açúcar.

— O suco integral, diferentemente do néctar, passa por um processo industrial mínimo até chegar à casa do consumidor. Por isso, é muito mais saudável. No entanto, o ideal mesmo, até mesmo por conta do preço alto dessa bebida, é consumir o suco natural da fruta, feito em casa. Muito mais barato e saudável — orienta a nutricionista.

Multa por descumprimento pode chegar a R$ 110 mil

A obrigação de garantir o cumprimento da regra é do Mapa. Segundo o coordenador de bebidas do ministério, o assunto fará parte da rotina de fiscalizações da pasta, apesar de não especificar a periodicidade com que ocorrerão. Borges informou que está em desenvolvimento uma metodologia específica para avaliar se os néctares contêm a quantidade mínima de suco imposta pela instrução normativa. Em caso de descumprimento, será aplicada multa que pode chegar a R$ 110 mil, conforme a gravidade da infração e da reincidência.

— Informar no rótulo um percentual de suco maior do que o contido no néctar, mesmo que seja o mínimo estabelecido pela Instrução Normativa, é considerado falta grave. Vale a informação da embalagem — destaca o coordenador.

Via O Globo.