Por: Ricardo Daniel Treis | 20/01/2014

Em tempos de Femusc, compartilhamos o artigo de Bruno Moreschi, publicado pela revista Vida Simples:

Pernalonga já ensinava: música clássica emociona e diverte

Pernalonga já ensinava: música clássica emociona e diverte

MÚSICA ERUDITA SEM MEDO
Perca o medo da música clássica e ganhe momentos de emoção no seu dia a dia

John Cage, o compositor norteamericano que morreu em 1992, irritava-se sempre que ouvia alguém falar que não gostava de música clássica. “É como falar que não se apreciam frutas”, afirmava. Para se ter uma ideia, o Dicionário de Música de Oxford considera música clássica um mundo vasto que engloba obras do século 9 até os nossos dias. A questão não é gostar ou não de música clássica. É ter uma opinião formada sobre esse estilo de música baseada na real experimentação sonora. Além disso, seria injusto demais tachar a música clássica com ideias que, se vistas (e ouvidas) com atenção, não fazem muito sentido.

Som universal
Diretor artístico e regente titular da Orquestra Sinfônica Brasileira da Cidade do Rio de Janeiro, o maestro Roberto Minczuk é um nome importante da música clássica. Ele conta: “Já toquei para públicos exigentes em Viena, Nova York e Londres. E também para aqueles que não sabiam nada de música clássica. Posso garantir: a música foi capaz de emocionar em qualquer um desses universos”. As palavras de Minczuk serviriam também para um quadro, uma peça de teatro e um filme.

Luta de clássicos
Ao longo da história da música clássica, alguns compositores assumiram que se inspiravam nas canções populares para comporem suas obras. O alemão Ludwig van Beethoven, por exemplo, usou o ritmo da dança dos camponeses na sua efusiva Sinfonia nº 7, e o húngaro Béla Bartók jamais conseguiria criar seu Concerto para Orquestra se não tivesse conciliado a música popular do Leste Europeu, de raízes ciganas, com as técnicas eruditas.

[youtube_sc url=”http://youtu.be/tF5kr251BRs” width=”640″ autohide=”1″]

Tão equivocado quanto achar que música clássica seja algo essencialmente elitista é pensar também que é algo que precise ser necessariamente sisudo. Quem diz isso deveria experimentar a Sinfonia nº 94 do austríaco Franz Joseph Haydn (acima). Para que se tenha uma ideia de seu bom humor, a sinfonia é também conhecida como Surpresa, graças a um barulho repentino que ocorre no meio da execução. Haydn contava que o susto foi proposital e serve para acordar aquelas senhoras dorminhocas da plateia.

Colaborador da revista BRAVO! e do jornal Folha de S. Paulo, o jornalista especializado em música clássica Irineu Perpétuo tem uma resposta na ponta da língua para aqueles que ousam afirmar que música clássica é exclusividade de ricos. “Vá ver a orquestra sinfônica de Heliópolis”, diz, referindo-se ao bairro de São Paulo que já foi considerado a maior favela do Brasil. “A molecada de lá já tocou Beethoven na terra do compositor”.

A OSB Jovem é a menina dos olhos da Orquestra Sinfônica do Brasil. A ideia começou em 1999 e segue algumas regras que parecem funcionar para a desmistificação da música clássica. Não há como reclamar que os concertos são só para ricos, pois eles custam apenas 1 real (no Femusc a entrada é gratuita!). Críticas sobre um eventual esnobismo presente nesse tipo de evento seriam infundadas: os jovens músicos se apresentam sempre de camiseta e calça jeans. Não raras vezes, o maestro interrompe o concerto e conta alguma curiosidade sobre o que acabou de tocar.

Por fim, Marcos Arakaki, o regente da OSB Jovem, faz questão de mesclar composições de fácil apreensão com outras que exigem um pouco mais de atenção. A mistura é tão curiosa quanto a reunião de Carlos Gomes, Dmitry Kabalevsky, Richard Wagner e Amadeus Mozart.

Também regente da orquestra da Paraíba, Arakaki tem uma curiosa visão sobre a música clássica. A seu ver, ela está quase sempre em nosso cotidiano – basta prestarmos atenção. Vivaldi já foi usado em propaganda de sabonete. Algumas estações de trem da capital paulista deixam música clássica como som ambiente. E filmes como 2001 – Uma Odisseia no Espaço usaram em sua abertura trechos famosos desse tipo de música.

Arakaki conclui: “Isso causa o mesmo efeito da frase ‘Ser ou não ser, eis a questão’. Quase todos já ouviram a sentença. Um grupo não sabe quem a pronunciou. Outros sabem que foi escrita por Shakespeare. Outros conhecem especificamente a peça Hamlet. E há até aqueles que conseguem se lembrar do momento exato em que o protagonista diz a frase”. A verdade é que todas essas pessoas têm algo em comum. Elas tiveram a oportunidade de ouvir uma frase rica em significado. E o processo não foi doloroso ou complicado. Foi tão natural quanto ouvir uma boa música.


Complemento o artigo com circunstância da presença da música clássica que o autor esqueceu de citar: cartoons! Das favoritas, Hungarian Rapsody, que já foi tocada por Pernalonga, Pica Pau, Patolino, Pato Donald, e claro, Tom & Jerry. Infelizmente o YouTube não disponibiliza os desenhos inteiros, mas segue os trecho famoso:

[youtube_sc url=”http://www.youtube.com/watch?v=som4dmHQasg” width=”640″ autohide=”1″]

E como não lembrar do Pernalonga regendo ópera?
[youtube_sc url=”http://youtu.be/BX1ljYx3g3k” width=”640″ autohide=”1″]

“Leopold!”, hueauehuaeuha.