Por: Anderson Kreutzfeldt | 3 anos atrás

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A crônica abaixo foi escrita no blog da Ruth Manaus e achamos interessante trazer para os leitores (e as leitoras) aqui do Por Acaso. Vale a leitura:

Há meses ando acompanhando um fenômeno estranho, no qual semanalmente tenho uma nova amiga solteira. Mas não é qualquer tipo de solteirice, é aquela imposta e sofrida, mais conhecida como pé na bunda.

O mais estranho é que todas elas têm um mesmo perfil: especialmente bonitas, especialmente inteligentes, especialmente bem sucedidas, especialmente bem vestidas e especialmente bem resolvidas.
É uma espécie de epidemia, parece que ninguém está segura.

E é um fenômeno generalizado. Quem não tem uma amiga fantástica que não tenha passado por isso recentemente?

As supostas justificativas são as mais diversas: você trabalha demais; você é incrível demais; você é exigente demais; você é controladora demais; você é expansiva demais; você é doce demais; você estuda demais.
Enfim, são inegavelmente mulheres que são demais para esses caras.

E toda semana tenho visto alguém em mar aberto. Sem rumo, sem chão, chorando um oceano. Apavorada por achar que nunca mais vai encontrar alguém “tão legal quanto ele”. Com medo de morrer sozinha com 7 gatos. Com medo de ter que fazer um tinder ou de ir pra balada e ter que ficar com um cara que usa jeans rasgado e corrente de prata.

Fico olhando para essas mulheres. Seus cabelos impecáveis, seus currículos invejáveis, seus empregos imponentes, mas se achando as últimas das criaturas.
Já desisti de tentar entender tudo isso. Dizem que é difícil entender as mulheres, mas tentar entender esses caras me parece ainda mais desafiador.

É claro que sempre podemos melhorar algo no nosso comportamento para os próximos relacionamentos. Não estou dizendo que somos perfeitas, que não devemos repensar atitudes ou que estamos acima do bem e do mal.

Mas sério, meninas, não se culpem!
Não se perguntem se a culpa do término é daquela celulite que sempre aparece na sua coxa esquerda quando você cruza a perna. Nem se é daquele pijama de bolinha que você usa no inverno. Nem dos 3 quilos que você não perdeu. Nem dos livros que você leu enquanto ele roncava. Nem do fato de você babar quando dorme. Nem daquele fim de semana que não deu tempo de depilar a perna.

Nem nada! Nem dos seus erros, nem dos seus defeitos, nem das suas crises!

A culpa não é sua. E talvez nem dele. Acabou, acabou.

Talvez ele peça para voltar, talvez não. Talvez ele implore, talvez você não queira. Talvez você fraqueje, talvez siga como a rainha do gelo. Talvez ele apareça com uma mulher com 3 metros de perna e peitos na altura do queixo. Talvez ele vire gay. Talvez ele se apaixone pela mulher mais feia do bairro, mas que é gente fina pra caramba. Talvez apareça na sua porta com um diamante do tamanho de uma lichia e vocês sejam mais felizes que William e Kate. Sei lá. O fato é que, sabe lá Deus porque, atualmente ele não quer mais ficar com essa mulher incrível que você é.

E a culpa não é sua mesmo. Ele tem as razões dele. E ele simplesmente tinha duas escolhas: ficar com você ou não, com todas suas qualidades e defeitos. E ele escolheu o “ou não”. Simples assim. Não o odeie. Mas principalmente: não se odeie.

Keep walking, gatinha. Acontece com todo mundo. Mas não vou negar que está acontecendo mais com as mais incríveis.

Algumas se perguntam se é o caso de disfarçar as qualidades com os novos paqueras. Se fingir de burra, mentir sobre emprego, falar que ganha mal. Tentar não assustar.
Não, não, nada disso. Continuem imponentes. Lindas. Invejáveis. Honrem tudo que conquistaram. Se o teco-teco não acompanha o boeing, paciência. Continuem voando. Uma hora a gente aterrisa em terras melhores.

E sim, há terras melhores, tenham certeza. Há caras bacanas soltos por aí. Há histórias incríveis para se viver. E há centenas de dias melhores te esperando.