Por: Sistema Por Acaso | 18/10/2012

Numa noite quente – e caliente – o casal de namorados foi para o motel. Depois de um bom tempo por lá, surgiu um imprevisto: faltou energia elétrica. A princípio nem deram bola, pois estavam distraídos e o calor demorou até tomar conta do ambiente escuro.

Na hora de sair, Eric foi até o carro e acendeu as luzes, assim conseguiram pegar as coisas que estavam espalhadas. Ele lembrou que ainda haveria um problema a ser resolvido: só tinha levado cartão de crédito. Estaria a maquininha funcionando? Samantha também não carregava dinheiro consigo.

Eric ligou para a recepção e o atendente disse que havia usado a máquina o dia todo apenas com a bateria e que esta acabara de ficar totalmente descarregada com as saídas anteriores – como de hábito, o movimento na hora do almoço tinha sido intenso naquele dia.

O atendente disse que estava à procura de uma bateria reserva que talvez tivesse alguma carga, mas a escuridão estava dificultando a tarefa.

Eric pensou em chamar alguém para socorrê-los, mas Samantha achou que seria muita “pagação de mico”. Tempos depois o recepcionista ligou:

– Alô, moço, vamos dar um jeito aqui. Achei a bateria.
– Ah! Legal. E como eu faço pra abrir este portão da garagem?
– Estamos fazendo manualmente senhor. Até por segurança. A gente manda o pessoal abrir um portão por vez. Sabe como é, né? Sem luz e sem câmera a gente não pode deixar ficar uma fila de carros aqui na saída.

Depois de mais espera, o homem ligou de novo e disse que era a vez deles. O casal entrou no carro. Pelo canto do portão dava pra ver duas tiazinhas vestidas de copeiras tentando destravar o mecanismo com uma chave de fenda, que caía a toda. Eric não podia ajudar pois a operação era do lado de fora.

Chegando à recepção, tava lá o sujeito com uma lanterninha de 1,99 na mão e evitando olhar para o casal. Depois de algumas tentativas, a operação foi completada. E lá vieram as duas tiazinhas de cabeça baixa para abrir o portão principal.

Quando o casal saiu, deu de cara com um ponto de ônibus lotado e um “mercedes” amarelo bem cheio, recolhendo o pessoal. E o povo olhando pra ver quem tava saindo do lugar, e todos se viram, pois no carro de Eric não tinha película. Todo o profissionalismo do pessoal do motel foi por água abaixo. Se fosse um casal “ilícito”, o crime não teria dado certo. Como diz o provérbio: “Em cidade pequena o inferno é grande”.
Marcelo Lamas
marcelolamas@globo.com