Por: Ricardo Daniel Treis | 4 anos atrás

O desconforto sentido em Jaraguá do Sul, por alguns fãs da banda Raimundos a um beijo gay e sua reação de ódio ao ato, deram lugar a um momento que pode figurar na história da luta contra o preconceito no Brasil.

O show aconteceu nesta sexta-feira, 2 de maio, no club The Way. A casa estava lotada. Aproximadamente às 1h30 o vocalista da banda, Digão, percebeu um certo alvoroço na plateia, consequência da hostilização por parte de alguns a um casal de rapazes que há poucos instantes  havia se beijado publicamente.

Enérgico na reação, Digão parou o show na hora, e mandou ver no “esporro” – o que certamente foi um choque para os preconceituosos. “Que merda é essa?”, perguntou. “Estamos na era do amor, não da agressão!”. O que aconteceu na sequência certamente desarmou ainda mais os agressores. Digão chamou os dois rapazes ao palco, para que, à vista de todos, se beijassem mais uma vez. 

Emocionados, ambos subiram com lágrimas nos olhos, enquanto vários amigos gritavam seus nomes. Quando veio o beijo a galera explodiu ovacionando, dando demonstração massiva de apoio, respeito e tolerância. Os integrantes da banda estavam logo ao lado, abraçados.

“Em que ano estamos? É 2014 porra! Cadê o respeito?”, completou Digão, antes de continuar o show deixando na pista do club alguns indivíduos com muito o que pensar neste fim de semana.


Galera, alguém ai tem registro em foto ou vídeo do momento?
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UPDATE
Foto enviada pelo leitor Thiago M. mostra o casal abraçando-se no palco.
raimundos01

Segue vídeo do momento, enviado pelo leitor Robert Fischer:

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Deputado Jean Wyllys comentou o fato em sua timeline, eis o texto que vale ser compartilhado:

Se há artistas que preferem reforçar preconceitos, inclusive contra seus próprios fãs, Digão deu o exemplo contrário, ao ver que um casal gay que acabara de se beijar estava sendo expulso pela platéia. A banda Raimundos imediatamente parou o show para dar uma aula sobre duas coisas tão simples e tão esquecidas: amor e respeito. “Que merda é essa? Estamos na era do amor, não da agressão!”.

O casal subiu ao palco, emocionado e ovacionado, para o desespero daqueles que insistem que o afeto – o afeto homossexual apenas, óbvio – tem que ficar escondido para não “ofender ninguém”.

Digão, um exemplo vale mais que mil palavras. E você acaba de dizer milhões delas! Uma pena que tanta gente ainda precise de um puxão de orelhas para entender algo tão simples!


UPDATE
Recebemos nesta manhã contato do designer Lucas Cruz, estudante de comunicação da UFPR, um dos rapazes hostilizados naquela noite. Lucas pediu que fizéssemos correção no artigo publicado pois, além do que foi relatado por nossas fontes, disse que a agressão partiu da equipe de segurança da casa. “O ato foi um dos momentos mais difíceis e humilhantes pelo qual já passei e foi difícil entender o que fazíamos de errado.” Segundo Lucas, tratou-se de puro preconceito da chefia de segurança.

Thiago Mattos, sócio-diretor do club The Way, em entrevista ao jornal Notícias do Dia relatou os fatos da seguinte forma: “A informação que chegou até mim foi a de que o casal estava se beijando de forma, vamos dizer, mais quente que o normal. O segurança pediu apenas para eles pararem, darem uma circulada. (…)Chamei o chefe de segurança e falei que não era para por ninguém para fora. Até porque ninguém aqui da The Way é preconceituoso quanto a isso. Hoje em dia é comum você sair em algum lugar público e ver pessoas do mesmo sexo juntas se beijando”.