Por: Gabriela Bubniak | 8 meses atrás

Esta é uma notícia que, no mínimo, vai te dar alguns arrepios. Se liga só: o estudante de psicologia Bruno Borges, de 24 anos, está desaparecido desde a última segunda-feira, 27 de março, em Rio Branco, no Acre. Até aí parece um caso de desaparecimento como outros já noticiados, mas existe uma série de coisas que nos faz acreditar que o caso não seja simples. Se até aqui você tá achando esse papo sinistro, mas espera pra ler o resto desse artigo, então!

Foto: Arquivo da Família

Foto: Arquivo da Família

Olha só, de acordo com a mãe de Bruno, a psicóloga Denise Borges, em uma entrevista cedida ao G1, a última vez que os parentes viram o jovem foi durante o almoço em família, na segunda-feira, após os pais voltarem de uma viagem de mais de 20 dias. Denise conta que Bruno voltou para casa e todos seguiram o dia normal de trabalho.

Mais tarde, o pai de Bruno, o empresário Athos Borges, voltou para casa e percebeu que o filho não estava. Mas o desaparecimento só foi percebido quando o pai entrou no quarto do filho e viu que mudanças haviam sido feitas no local. “Eu entrei lá e não vi a cama, não vi nada, só vi aquilo tudo. Naquele momento eu vi que o Bruno tinha ido embora”, conta o empresário para o G1.

Mas a parte “sinistra” mesmo vem agora: atrás da porta do quarto, mantida 24 dias trancada enquanto os pais viajavam, no lugar de móveis, uma estátua do filósofo Giordano Bruno (1548-1600), por quem tem grande admiração, orçada em R$ 7 mil, e 14 livros extremamente organizados, escritos à mão. Alguns deles copiados nas paredes, teto e no chão. Todas as obras – identificadas por números romanos – criptografadas.

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Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre

No quarto, os escritos são feitos de forma impecável, com precisão e simetria, como em uma página de caderno. Várias simbologias foram desenhadas no cômodo e também ao redor da estátua. Um quadro na parede em que Bruno aparece sendo tocado por um extraterrestre também mostra o interesse do jovem por ufologia.

 Veja aqui o vídeo feito dentro do quarto de Bruno:

Denise lembra que o filho havia falado, há bastante tempo, de um projeto em que estava trabalhando e para o qual precisaria de dinheiro. Em resposta, ela falou que patrocinaria se soubesse do que se tratava, pedido que foi rejeitado. Segundo a mãe, Bruno iniciou a produção em 2013 e, há um ano, passou a se dedicar na finalização e a procurar pessoas que acreditassem nele sem contar o que seria. “Ele só me falava que estava escrevendo livros que iriam mudar a humanidade de uma forma boa. Ele me pediu um ano sem trabalhar para terminar e eu, orientada por um médico, deixei”, fala a mãe.

Os irmãos de Bruno revelaram que, a partir da saída dos pais, a porta passou a ficar sempre fechada. Foram exatos 22 dias fazendo as mudanças.
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Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre

A estátua de Giordano Bruno – réplica da que existe no Campo dei Fiori, em Roma – é um dos objetos emblemáticos dessa mudança. A família ressalta que não sabe exatamente em que momento o artefato entrou na casa. A peça foi produzida na capital acreana e levada à residência na semana passada em um momento que o jovem estava sozinho.

Muitas teorias envolvem o caso. Nas redes sociais, internautas atentaram inclusive à visível semelhança física entre o acreano e o próprio Giordano Bruno, com quem compartilha um dos nomes. Para alguns, o jovem pode estar tentando terminar as obras do filósofo, trabalho interrompido pela sua morte pela Inquisição.

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Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre

O desaparecimento do jovem é investigado pela Polícia Civil do Acre. O coordenador da Delegacia de Investigação Criminal (DIC), delegado Fabrizzio Sobreira, afirmou que todas as possibilidades estão sendo consideradas, mas que o caso segue em sigilo.

A ajuda do primo

O médico oftalmologista Eduardo Veloso, primo de Bruno, conta ao G1 que conversou com o jovem e acreditou no projeto dele. Ele falou ainda que o primo não contou muito sobre o que estava fazendo, mas que deu um livro para que ele pudesse ler.

“Na nossa primeira conversa eu li umas 15 páginas do livro e aí como eu gostei, falei que ajudaria ele a financiar e que ia conversar mais com ele sobre o projeto. Um dia peguei ele em casa e fomos para a minha fazenda. Durante uma conversa percebi que ele tinha uma idéias que batiam, apesar de ele não me falar o que era o projeto em si. Ele só me falou que era uma coisa inédita no mundo, que ninguém nunca tinha feito isso e que ele ia ficar conhecido rapidamente”, disse.

Veloso contou ainda que transferiu a quantia de R$ 20 mil para a conta de Bruno para que ele pudesse levar o projeto adiante.

“Eu acreditei e fiz esse aporte de capital no projeto, não especificamente para uma ou outra coisa como andam falando. Ele me falou que tinha uma estátua em um local que era para visitação, mas não disse onde, mas eu sabia da existência da estátua”, completou.

Quem foi Giordano Bruno?

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Um filósofo, teólogo e escritor nascido em Nola, na Itália, em 1548, acusado de heresia por suas ideias pelo Santo Ofício e morto em Roma, em 1600, queimado na fogueira depois de se recusar a abrir mão de suas doutrinas. Dentre outras coisas, ele defendia a infinitude do universo e sua característica de transformação constante. Para ele, Deus também é infinito – imanente e transcendente – e sem contradições, uma vez que os opostos terminam por coincidir nesse infinito.

Sendo assim, o universo – de acordo com Giordano – seria algo vivo, conduzido pela mesma lei e Deus está presente em toda parte, cabendo aos seres humanos adorá-lo além de qualquer dogma. Durante a vida, o filósofo escreveu sobre cosmologia, física, magia e a arte da memória.

O pai de Bruno lançou um vídeo de esclarecimento na última semana. Durante a declaração ele ainda se comprometeu a buscar a tradução de todos os livros e publicar, em nome do trabalho e estudo do filho:

E se o Bruno estiver em SC? Tudo é possível quando se trata de um caso de desaparecimento. Mas enquanto nada se sabe, aguardamos novidades do caso.

Com informações: G1
Fotos: Reprodução/Rede Amazônica Acre