Por: Sistema Por Acaso | 5 anos atrás

Lembro bem da minha primeira vez. A primeira vez que coloquei as mãos nela. Têm coisas que só colocando as mãos para se ter o sentimento de plenitude. Tenho certeza que todos os meus camaradas hão de lembrar das suas respectivas.

Consegui calcular a idade que eu tinha: 10 anos. Isso que naquela época tudo era mais difícil, um militar estava na presidência e tudo era controlado.

A minha tinha cabelos curtos e tatuagens espalhadas. Bem jovem. Era exótica para o momento do século. Naquele primeiro encontro eu era um misto de ansiedade com nervosismo. Não sabia direito onde acharo ‘‘proibido”.

O nome dela era Monique. Enquanto escrevia esta crônica, tentei achá-la no Google, ia ser legal encontrar uma imagem dela como naquela ocasião. Não a encontrei. O lugar da nossa primeira vez foi um vestiário. O time adulto foi para o campo e eu cheguei cedo demais para o treino que seria depois. Dei de cara com a revista Playboy e pude folhar cuidadosamente cada uma das seções, até chegar ao ensaio principal da Monique Evans.

Agora estão dizendo que a revista que revolucionou o pais, pelo menos no quesito depilação(!), vai acabar. Ela não estaria dando o resultado desejado. Conheço muita gente que compra com a desculpa de “ler as reportagens”. Quintana pedia para as suas enfermeiras comprarem. Dependendo do ponto de vista pode-se considerar a Playboy até como investimento. Certa vez um colega da faculdade chegou da aula matutina, num sábado, e lembrou que tinha um almoço combinado com uma pretendente. Ele estava sem grana e a única saída foi vender a sua invejada coleção, antes de encontrar a menina.

Nesta feira do livro de Jaraguá do Sul comprei “Cinco Minutos” do José de Alencar. Na escola fundamental, o escolhi para um trabalho porque era o menor exemplar entre os que a professora sugeriu. Foi minha primeira vez lendo um clássico. Achei importante tê-lo na minha biblioteca.

Usando da mesma lógica, eu deveria ir ao sebo e procurar a Playboy da jovem Monique. O efeito colateral poderia ser algum conhecido me ver saindo da área restrita para maiores e achar que sou um pervertido. Como alertou Leonardo Da Vinci: Não se deve temer nada a não ser a má reputação. Talvez seja melhor eu ficar com as imagens que tenho na cabeça.

Marcelo Lamas, autor de “Arrumadinhas”, livro em trabalho de parto.
marcelolamas@globo.com