Por: Ariston Sal Junior | 4 anos atrás
No Mercado Público, consumidor encontra frutas frescas e produtos de associações, como a de Mães Foto: Lúcio Sassi/OCP

No Mercado Público, consumidor encontra frutas frescas e produtos de associações, como a de Mães
Foto: Lúcio Sassi/OCP

Quem gosta de comprar frutas e verduras fresquinhas, produzidas pelos agricultores do município, além de produtos artesanais, sabe que pode encontrar o que procura no Mercado Público de Jaraguá do Sul. Mas até os frequentadores mais assíduos concordam que são necessárias melhorias no local para que a aceitação seja maior.

Para a comerciante Daniele Ruschel, falta valorização do local. “Acho que se tivesse um espaço para que as pessoas pudessem sentar para conversar e tomar um café, seria mais atrativo. Se compararmos com outras cidades, como Joinville, Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba, é muito diferente. Os mercados públicos são pontos turísticos e de encontro da comunidade, além de contarem com apresentações culturais”, opina.

Daniele trabalha no local há 13 anos e conta que com o passar do tempo o movimento aumentou bastante. “As pessoas se acostumaram a vir até aqui”. Além do preço, o uso reduzido de agrotóxicos também atrai a população. A servidora pública, Ana Paula Ern, trabalha perto do prédio e toda semana compra frutas no local. “Se fosse um ponto de encontro, com um espaço para sentar e se distrair, seria mais uma opção de lazer para o jaraguaense, ainda mais pela localização”, acredita.

A dona de casa Maria Aparecida Mendes também defende a reformulação do mercado. “Não consigo mais imaginar o município sem esta estrutura, o ambiente é muito bom e limpo e tem história, que precisa ser preservada”, diz. “Acho que com mais atrativos, e com o espaço sendo mais bem utilizado, as pessoas viriam mais até aqui e seria bom para os comerciantes.”

De acordo com o presidente da Fundação Cultural, Sidnei Lopes, o local realmente precisa de revitalização, já que todo o seu entorno, como a sede da fundação e a biblioteca, foi entregue restaurado em 2008. Ele explica que não existe nenhum projeto em andamento, mas o assunto já começou a ser debatido com a equipe do Patrimônio Histórico.

“Comparado com outras cidades, temos um espaço pequeno, mas se conseguirmos levar a população a frequentar mais a área de todo o centro histórico, automaticamente o público não deixará de visitar o mercado”, analisa. Uma das ideias é montar um calendário cultural, com feiras, apresentações culturais e musicais.

Metade das lojas desativada 

Dos oito espaços disponíveis no Mercado Público, quatro estão sendo usados, vendendo produtos da Associação dos Clubes de Mães, artigos naturais, produtos coloniais, e banca de frutas e de verduras. A outra metade está desativada, sem previsão de abertura.

O prédio foi construído no governo do ex-prefeito Roland Harold Dornbusch e inaugurado em 1965. Ocupa pouco mais de 500 metros quadrados. Foi fechado em 1968 e ficou sem uso até 1983, quando  a Secretaria de Educação instalou-se no prédio, ficando lá até 1995. Depois, foi reaberto somente em 2002, para de novo servir de mercado público. Em 2012, o local passou por uma pequena reforma, com pintura e conserto do telhado.

Um modelo de revitalização a ser copiado 

Ex-presidente da Fundação Cultural (2006-2008), a vereadora Natália Petry (PMDB) foi responsável por viabilizar a revitalização do Centro Histórico (Fundação, Biblioteca Pública Rui Barbosa e Museu da Paz – Expedicionário). Segundo ela, o Mercado só não participou da reforma na época, pois havia passado por reparações recentemente.

Na opinião da vereadora, o prédio deve passar por uma revitalização, respeitando as características originais, já que é patrimônio tombado. “Na época realizamos a reforma no Centro Histórico a partir da Lei Rouanet, que arrecadou recursos de empresas locais. O Mercado Público tem todas as características para ser revitalizado com recursos da mesma forma, mas é necessário que seja feito um projeto e que alguém insista nele”, destaca.

As obras do Centro Histórico foram iniciadas em abril de 2007 e a entrega foi feita em 2008. Recebeu um investimento superior a R$ 4 milhões, sendo R$ 3.050.924,61 em recursos captados por meio da Lei Rouanet e mais a contrapartida da Prefeitura, compreendendo a aquisição do prédio da antiga estação ferroviária (R$ 1.161.218,00) e a compra do projeto (R$ 15.267,50).

Fonte OCP