Por: Ricardo Daniel Treis | 5 anos atrás

A pedido da revista Trip, personalidades escreveram cartas de desculpas tentando acertar as contas com personagens de seu passado. Interessante conferir o que algumas pessoas consideram como uma real pisada na bola, confesso que fiquei deveras surpreso com a história que o Rafinha Bastos tinha para compartilhar. Vale a leitura, reproduzo:

From: Rafinha Bastos
To: O casal de fãs Mariana e Roberto*

Esta carta começa com uma piada que contei por seis anos no meu antigo show: “Garçons perguntam coisas estranhas. Pedi que um embrulhasse o resto do meu hambúrguer e ele perguntou: ‘É pra viagem?’. E eu: ‘Não. Pra presente! Vou dar meio hambúrguer de Natal pra uma pessoa’”.

Agora vamos à história. Antes de trabalhar em TV aberta, fiz por dois anos um show solo em um teatro de São Paulo. Tinha um casal que assistia a quase todas as sessões e sempre me escrevia. Eu brincava nos e-mails que, o dia em que eu faltasse, chamaria os dois para fazer o show no meu lugar.

Depois de um ano de troca de e-mails eles pararam de enviar mensagens. Pensei: “Devem ter ficado de saco cheio de mim”. Após quatro meses sem contato, recebo um e-mail da Mariana. Ela contava algo que eu nunca vou esquecer: “Rafa, estivemos afastados de qualquer compromisso social nos últimos meses. Em maio, o Roberto sofreu um acidente de carro. Ele dirigia na estrada quando um caminhão fechou o seu veículo. O carro do Roberto se chocou contra a proteção da pista. Ele bateu forte a cabeça e perdeu a memória. Não existe maneira segura de apontar em quanto tempo a memória voltará e se voltará completamente. Ficamos assustados. Você não faz ideia de como é louco ter alguém que você ama ao seu lado e ele simplesmente não se lembrar de você. É desesperador. Ficamos no hospital seis dias e nada de ele se recordar de mim, dos pais nem de como executar tarefas simples. Na saída do hospital, no horário do almoço, o Roberto, sem fome, preferiu não comer. A enfermeira viu que o prato estava cheio e perguntou: ‘Roberto, você não comeu nada. Quer que eu embrulhe a comida?’. Ele respondeu: ‘Quero. Pra presente’. Foi ali que eu vi que teria o meu amor de volta”.

Essa história ainda me emociona muito. Toda vez que eu me envolvo com algum problema por causa do meu trabalho ou sinto que uma brincadeira minha foi interpretada de maneira equivocada, eu lembro dela. O efeito negativo do que eu faço é estampado na imprensa. Já o efeito positivo só quem sente somos eu e aqueles que gostam do meu trabalho. E isso pra mim é o bastante.

Ok, agora o editor da revista Trip pergunta: “Sim, amigo, e o pedido de desculpas? É sobre isso que pedimos para você escrever”. Bem, eu explico. O texto acima, enviado pela Mariana, é, na verdade, a minha lembrança da mensagem. Por quê? Porque eu formatei o meu computador e perdi o e-mail. Pior: troquei de provedor e perdi o contato com o casal. Sim, sou um idiota. Lembro que, no final da mensagem, Mariana me fazia um pedido. Ela queria que eu enviasse um vídeo parabenizando o Roberto pela recuperação. O problema é que não tenho mais como contatá-los. A verdade é que eu deveria ter cuidado melhor da mensagem. O resultado é que eles nunca receberam o tal vídeo. Por isso, EU PEÇO DESCULPAS.

PS 1: Sei que essa história parece um conto piegas, mas eu não teria criatividade para criar algo do gênero. Sou comediante e não roteirista de novela. A história é verídica.

PS 2: Se você conhece esse casal, por favor, repasse a mensagem e peça que entre em contato comigo. Eu PRECISO gravar e entregar esse vídeo.

PS 3: Outlook nunca mais.

*Nomes fictícios