Por: João Marcos | 5 anos atrás

Quando você acha que não dá mais para se surpreender com a ignorância de Marco Feliciano, aparece mais uma pérola do nosso excelentíssimo Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias – chega a soar irônico o nome dele e seu cargo na mesma frase, mas ok, há quem ache lindo além dele e da mãe dele.

Segundo Murphy e suas teorias de conspiração mais do que aceitáveis, nada está tão ruim a ponto de que não possa piorar. Um vídeo foi desencavado de um culto de Marco Feliciano em que ele – possuído – grita que Deus matou John Lennon:

John Lennon chegou um dia, bateu no peito e disse: “Nós, Beatles, somos uma nova religião.” Passou algum tempo e ele está entrando no seu apartamento, ele vira e é alvejado com três tiros no peito. Eu queria estar lá nesse dia. Ia tirar o pano de cima e ia dizer: “Me perdoe, John, mas esse tiro é em nome do pai, esse em nome do filho e esse em nome do espírito santo”. Ninguém afronta Deus e sobrevive para debochar!

Feliciano não é apenas uma piada sem graça, não é só um pastor ignorante falando bobagem. Em sua louca cavalgada, ele é a face do ódio, da intolerância, da discriminação e da loucura. É um assombro que tanta gente o siga. É um assombro que, durante o tal culto, as pessoas levantassem a voz, urrando em concordância, como num circo romano, como numa execução em praça pública, enquanto ele prosseguia com o linchamento de um homem que foi assassinado covardemente quando chegava em casa. Imagine você que para “adaptar” o fato ele chegou a reduzir o número de tiros – John tomou 4 tiros,  três deles atravessaram seu corpo e um deles destruiu sua artéria aorta, e teve mais um tiro que se perdeu atingindo uma janela do prédio – em seu discurso, para fazer uma analogia rasteira e degenerada com a santíssima trindade, a partir disso você já pode imaginar o quão verdadeiros devem soar suas palavras em outros momentos.

Essas barbaridades já são ditas há muito tempo. Ficamos sabendo delas agora, porque o pastor deputado foi parar numa comissão da Câmara e isso lhe deu visibilidade. Pensando por esse lado, uma entrevista recente da atriz Letícia Sabatella em que define o deputado como uma “Benção de Deus” faz todo sentido, ela fez o seguinte disparo:

O Feliciano é uma benção de Deus. Ele é tão nazista, arcaico e egoísta que enfim estamos acordando para a homofobia e o preconceito. É um mal que vem pra bem. É tão absurdo e forte, como se quem não pensa como ele estivesse associado ao demônio, possuído. Aconteceram coisas que doeram na minha alma. E, para ser contra essa aberração, quem antes não queria chocar a bisavó está se assumindo. Graças a isso, a homofobia daqui a pouco vai acabar, como acabou a escravidão.

Feliciano é a volta às cavernas, é a face do fundamentalismo religioso brasileiro.

É também um caso clássico de auto ódio -sua mãe é negra e realizava abortos teve um filho que é racista, alisa os cabelos, tira a sobrancelha e procura ficar mais branco. Sua homofobia diz muito sobre ele, sua imensa raiva por si mesmo é o que o move.

Feliciano o falso profeta, eleito por mais de 200 mil pessoas, será reeleito em 2014. O presidente de seu partido, o PSC, acha que ele terá o dobro de votos. Tudo apoiado na sua interpretação doentia da Bíblia, o único livro que leu e que sabe de cor — pelo menos, os piores trechos.

Veja o show de horror dado pelo mestre:

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Fiz algumas alterações e inserções na redação, mas o texto original e a excelente percepção original é de Kiko Nogueira, que você encontra no site El Hombre clicando aqui.