Por: Anderson Kreutzfeldt | 30/05/2014

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Primeiramente esse evento teria junto com as finais do TUF, a luta de seus treinadores, a tão esperada batalha entre nosso Wanderlei Silva e Chael Sonnen. Ai eles resolveram brigar antes, no programa, Wand se machucou e luta foi pra julho em Vegas. Ai teríamos no main event Júnior Cigano contra Stipe Miocic, mas em cima da hora o catarinense fraturou a mão. E ai, quem chamar? Tava todo mundo ocupado, tinha luta marcada ou tinha lutado a pouco tempo. Só um cara louco aceitaria uma luta assim em cima da hora, imagina se fosse numa categoria acima do seu peso. Pois bem, ele existe. Se chama Fábio Maldonado, o “Caipira de Aço”. O brasileiro que mais aguenta pancada no MMA, quando perguntado por que aceitou a luta nos pesados, só respondeu ” Se eu não aceito, como vou tirar foto com um fã? O que vou falar pros meus filhos?”. Mitou.
No card preliminar, o tradicional esquema “Jungle Fight com toques internacionais”. Vale a pena uma boa olhada na luta de Pedro Munhoz, bom brasileiro.
Vamos ao card principal, lembrando que o evento no Brasil começa as 19:30, logo após o UFC na Alemanha (colocar o link).

Rony Jason x Robbie Peralta (categoria dos penas): O campeão do TUF Brasil 1 está de volta, mais uma vez lutando no Brasil e terá um adversário que gosta de trocar porrada, o americano Robbie Peralta. Os 2 são lutadores muito parecidos em todos os sentidos. Peralta gosta de trabalhar bem a movimentação em pé, variando chutes nas pernas com bons socos, usando seu punch para definir nas combinações. Rony também é bom trocador, mas de pé, gosta mais de trabalhar na curta distância, usando o boxe. Na parte de luta agarrada, Peralta defende bem as quedas e as vezes até coloca a luta no solo, onde não tem muita desenvoltura com finalizações, mas pontua. Porém, ele deve fugir dessa estratégia, pois Jason já se mostrou com um chão de primeira linha, seja por cima ou por baixo, com seu famoso triângulo. O brasileiro sim, deverá encurtar e tentar o solo se buscar uma luta mais segura. Se ficarem de pé, tudo pode acontecer.
Palpite: Rony vem amadurecendo seu jogo e tendo melhor controle emocional. Isso será fundamental para ele esperar a hora certa, derrubar e finalizar no 2° round.

Demian Maia x Alexander Yakovlev (categoria dos meio médios): Aposto três vitórias consecutivas nos meio médios, Demian Maia despontava como contender na categoria dos meio médios, mas a falta de gás e sua inabilidade na trocação o levaram a duas derrotas contra tops 10 e isso o jogou pro fim da fila. Ele terá pela frente o estreante russo Alexander Yakovlev. Os dois tem seu background na luta agarrada, mas em pé o russo ao menos mostra poder de nocaute, coisa que Demian não tem. No chão Yakovlev é mestrado no Sambô, o wrestling russo, e se conseguir derrubar Demian e cair por cima, pode complicar mesmo com a ótima guarda do brasileiro. A tendência é caso isso aconteça do russo “amarrar” e ficar pontuando como Jake Shields fez. Ja se o paulista conseguir a queda, a coisa complica pro russo. Dono de uma vasto arsenal de finalizações, Demian joga solto, com bons ataques as costas, facilidade em colocar os ganchos e pegar o pescoço de diversas formas. Falta saber se caso não consiga finalizar, terá gás para terminar a luta, coisa que faltou contra Rory MacDonald.
Palpite: A maior experiência internacional de Demian fará diferença e ele finalizará no 1° round.

Márcio “Lyoto” Jr. x Warlley Alves (final dos médios do TUF Brasil 3): Dois integrantes do time Sonnen se enfrentam na final da melhor edição em nível técnico do TUF. Márcio “Lyoto” tem seu jogo todo calcado no karatê, com movimentação de pernas, trocas de base e chutes tentando controlar a distância. Ele chegou até aqui com duas vitórias por decisão dividida, contra Borrachinha e Demente e nas duas o gás faltou, e a partir do 2° round sua efetividade não foi mais a mesma, apesar de demonstrar muita garra. Na parte de luta agarrada, ele tem boa defesa de quedas e um jogo no chão também bom pata se defender. Ele terá pela frente o cara que tem sido o mais dominante do programa. Warlley Alves já na eliminatória despachou o conhecidíssimo no cenário nacional Wendell Negão. Após isso um nocaute fulminante em Marmota e uma finalização relâmpago em Wagnão o colocaram na final. Seu jogo em pé não é tão solto quando de Lyoto, mas ele costuma encurtar e trabalhar muito bem clinche, com joelhadas no corpo e cotoveladas com muita potência. No chão, quadril solto e ground and pound poderoso são suas armas para tentar uma finalização.
Palpite: Warlley é mais completo, mais forte e vai dominar. Nocaute de Warlley Alves no 2° round, no ground and pound.

Vitor Miranda x Antonio Carlos “Cara de Sapato”(final dos pesados do TUF Brasil 3): O clássico duelo striker x grappler. Vitor Miranda vem representando o time Sonnen e tem seu jogo todo baseado na parte de pé. Renomado kickboxer, com títulos no K-1 e muito experiente em eventos de trocação, ele venceu suas duas lutas por nocaute na casa e não exitará em tentar se movimentar e evitar a aproximação de Cara de Sapato. Vitor não é bobo no chão, mas o paraibano radicado na Bahia (que tem uma mão bem pesada) é uma das maiores feras na arte suave que surgiu nos últimos anos, sendo campeão em todas as faixas. Ele terá que fintar um pouco e tenta colocar Vitor no chão para ter chances, mas caso consiga, seus bons ataques as costas e montadas devem ser decisivas. Uma luta em que cada um tem uma estratégia clara e quem conseguir impor a sua antes, não deverá dar tempo ao outro de reagir.
Palpite: Cara de Sapato vem se mostrando uma grata surpresa até mesmo em pé, e aposto que em algum momento ele conseguirá colocar Vitor de costas no chão. Cara de Sapato por finalização no 2° round.

Stipe Miocic x Fábio Maldonado (categoria dos pesados): Todos amam Maldonado (inclusive eu). Ele é o maior casca grossa do MMA nacional, fala o que pensa e após vencer sua luta no UFC Jaraguá 1, estava no meio da galera bebendo uma cerveja. O “caipira de aço” é dono de um queixo invejável e um boxe de qualidade, de quem já foi durante muitos anos boxeador profissional, apesar de lhe estar faltando definir as suas lutas. Mas sejamos sinceros, Maldonado é limitado. Sua defesa de quedas não é boa, e uma vez com as costas no chão ele não tem muitas ferramentas para levantar. Sua trocação se resume ao boxe, os chutes são esporádicos e a velocidade não é seu forte. Ele terá pela frente um adversário com um boxe tão bom quanto o seu. Miocic é um boxeador de alto nível, com bom jogo de pernas, que usa para controlar o cage (como vimos contra Roy Nelson) e evitar os contra golpes, além de ter uma envergadura maior que a sua. Caso queira uma luta segura, sem arriscar na trocação com o brasileiro, ele deve usar sua habilidade no wrestling (lutou na primeira divisão da NCAA) e colocar o brasileiro de costas no chão, batendo e pontuando no ground and pound.
Palpite: Miocic é amplamente favorito, mas não o vejo nocauteando o lutador com maior coração que temos. Miocic controlando no chão e levando por pontos e Maldonado novamente saindo aplaudido por sua raça.