Por: João Marcos | 21/02/2014

Menos de 2 meses após defender seu cinturão, a queridinha do UFC Ronda Rousey retorna ao octagon para mais uma luta. Além disso, a estréia de Daniel Cormier nos meio pesados e o embate entre dois tops 10 dos meio médios Rory McDonald e Demian Maia tornam o card interessante.

Strikeforce: Tate v Rousey - Press Conference

No preliminar, 2 brasileiros: O bem ranqueado entre os galos Raphael Assunção enfrenta o estreante também brazuca Pedro Munhoz, e nos leves o ameaçado Rafaello Trator enfrenta o ex contender dos penas Eric Koch.

Robert Whittaker x Stephen Thompson (categoria dos meio médios): O campeão do TUF: Smashes, Robert Whittaker vem de derrota e tenta a recuperação no octógono contra Stephen Thompson, que tenta emplacar sua terceiro vitória consecutiva. Dois trocadores natos, Whittaker utiliza como base de sua luta o caratê e terá que fazer valer a movimentação para conseguir entrar no raio de ação de Thompson (um kickboxer nato) sem ser atingido, visto a diferença de 13 cm na envergadura a favor de Thompson. Caso consiga clinchar e encurtar, Whittaker tem mais qualidade no chão que Thompson e pode quedar para tentar uma finalização ou pelo menos controlar a luta.
Palpite: Quando Whittaker pensar em encurtar, um contra ataque será fatal. Thompson por nocaute no 3° round.

Mike Pyle x TJ Waldburger (categoria dos meio médios): O veterano Mike Pyle vinha numa boa sequência de 4 vitórias, até ser nocauteado por Matt Brown e agora enfrenta o ainda irregular no UFC TJ Waldburger, que também vem de derrota. Waldburger é um jovem, que mostra muita qualidade no jogo de grappling, seja no clinche ou no chão, onde tem bons ataques, mesmo por baixo, com um triângulo justo, mas ainda apresenta muitas brechas no seu jogo de pé, com pouca movimentação e combinações previsíveis. Já o veterano Pyle, tem bom jogo de chão, onde se defende bem e até consegue bons ataques, mas deverá focar na sua melhor qualidade, o striking. Pyle tem boas combinações com as mãos e usa muito bem as cotoveladas e joelhadas, além de bom poder de nocaute e deverá focar em manter a distância e fechar a conta por cima.
Palpite: Pyle tem mais punch e sabe conduzir suas lutas. Pyle por nocaute no 1° round

Rory MacDonald x Demian Maia (categoria dos meio médios): Uma luta extremamente complicada de analisar. Apesar de vir de derrota, Rory MacDonald é um prodígio e com a aposentadoria de seu mentor GSP, deve finalmente buscar voos mais altos na categoria. Já Demian, vinha de 3 vitórias na categoria antes de ser neutralizado por Jake Shields e agora precisa mostrar motivação para encaminhar uma nova corrida pelo topo. MacDonald tem uma envergadura gigantesca para categoria e sabe como poucos controlar a distância usando chutes baixos e jabs, como já mostrou contra BJ Penn e Jake Ellenberger, e deve tentar fazer o mesmo contra o brasileiro, que ainda se demonstra um pouco inseguro quando necessita da trocação. MacDonald também tem excelente jogo de quedas, mas contra Demian Maia, isso pode não ser uma boa estratégia, já que o brazuca tem qualidade para vencer mesmo por baixo, com um triângulo excelente, ou mesmo para raspar e ter o controle por cima. Rory não é bobo no chão, mas se a luta for pra lá, é tudo que o brasileiro quer para pontuar e grudar no canadense, buscando uma finalização de seu vasto arsenal. Demian precisa trabalhar as fintas em pé, conseguir aproximar e colocar Rory no chão ou pelo menos na grade para ter vantagem na luta.
Palpite: Luta ruim de pontuar, onde o equilíbrio deve prevalecer. Mas o estilo metódico e o controle da distância devem dar uma pequena vantagem ao canadense. Rory MacDonald por pontos.

Daniel Cormier x Patrick Cummins (categoria dos meio pesados): O ex campeão dos pesados no Strikeforce, Daniel Cormier deveria enfrentar Rashad Evans em sua estréia nos meio pesados, mas uma lesão de Evans em cima da hora o fez ser substituído pelo estreante Patrick Cummins, que tem apenas 4 lutas no cartel. Cummins até tentou um trash talking, sobre o tempo que ele e Cormier treinavam wrestling juntos, sobre ter feito Cormier chorar e bla bla bla…mas não adianta, a luta perdeu o encanto. Cummins é um wrestler do nível de Cormier, os dois são fenomenais nisso, mas Cormier já evoluiu no jogo de solo. Na parte de pé, não tem como comparar. Cummins é um iniciante na trocação (eu vi as lutas do cara) e DC tem mostrado boxe de qualidade, controle de distância, boas combinações 1-2 e potência. Resumindo, onde a luta parar, DC é favoritaço.
Palpite: Sem mais delongas, Daniel Cormier por nocaute no 2° round

Ronda Rousey x Sara McMann (cinturão dos galos feminino): A queridinha do UFC Ronda Rousey finalmente teve de lutar mais de um round final de ano contra Miesha Tate, mas mesmo assim, dominou e encaixou seu famoso armlock no 3° round. Se Ronda tem em sua melhor característica a luta agarrada, por que não dar uma grappler para confrontá-la? Foi o que o UFC fez, colocando na sua frente nesse sábado a medalhista olímpica em luta livre Sara McMann. Na parte de pé, as duas lutadoras se equivalem, com pouco técnica e muitas pancadas soltas ao esmo, acertando o que vier pela frente. Agora, no chão, o bicho pega. Sara é uma wrestler e dificilmente “aceita” as quedas, além de na grade ter bom jogo, usando o corpo todo para controlar a adversária até conseguir a queda. Uma vez por cima, tem bons ataques aos braços e costuma usar bem o ground and pound. Ja Ronda tem aquele jogo do judô, com projeções utilizando as pernas e excelente jogo de giro por cima, sempre buscando a melhor posição. Me arrisco a dizer que quem cair por cima terá 80% das chances de vencer, pois dificilmente será raspada.
Palpite: Pela primeira vez Ronda irá tomar um calor de verdade, mas vencerá na decisão dos juízes.