Por: Ariston Sal Junior | 19/05/2014
Reprodução/AFP

Reprodução/AFP

GENEBRA ­ Os suíços rejeitaram de forma esmagadora, no domingo, a proposta para criar no país um salário
mínimo de 4 mil francos­suíços (US$ 4,5 mil, pouco mais de R$ 10 mil), que seria o mais elevado do mundo. Em
referendo, 76% disseram não ao piso proposto para o trabalho em 42 horas semanais. A Suíça tem a sexta maior
renda per capita do mundo. Hoje, cerca de 10% da força de trabalho do país ganham menos que 4 mil francos­
suíços. Não  existe  um  piso  definido  e  os  salários  são  decididos  por  negociação  individual  ou  por  convenção
coletiva.

— Se a iniciativa tivesse sido aceita, sem dúvida, teria levado a cortes de empregos, especialmente em regiões
remotas e estruturalmente mais fracas — disse o ministro da Economia suíço, Johann Schneider­Ammann.

Na Suíça, para que uma iniciativa seja aprovada, precisa obter a maioria do voto popular e dos cantões. O salário
mínimo fora proposta pela central sindical SGB, que tem cerca de 380 mi filiados. Representantes de patrões, do
setor agrícola, do Parlamento e o próprio governo eram contrários à iniciativa. Os opositores a consideravam uma
ameaça para o emprego no país, alegando que elevaria o desemprego entre trabalhadores de mais baixa renda. O desemprego no país é baixo, de 3,2% em abril.

Além da tradição pelo uso de referendo, os eleitores suíços têm o hábito de votar contra medidas que acreditam
que possam prejudicar a economia. Há dois anos, eles rejeitaram duas semanas extras de férias por ano, em
meio a preocupações de que a proposta poderia aumentar os custos do trabalho.

Hoje, o maior salário mínimo fixo do mundo é o de Luxemburgo, o equivalente a US$ 10,66 por hora, de acordo
com dados da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Na França, que tem um dos
mais elevados mínimos da Europa (US$ 10,60 por hora), o sindicato patronal Medef pleiteia a criação de um
salário transitório, abaixo do piso, para os jovens. Em abril, a Alemanha aprovou a adoção do piso € 8,50 por hora
(US$ 11,75), que entra em vigor em 2015.

Rejeição a caças Gripen
Além do mínimo, os suíços também rejeitaram nas urnas a compra de 22 aviões de combate da marca sueca
Gripen. O projeto bilionário (US$ 3,4 bilhões) era apoiado pelo ministro da Defensa, Ueli Maurer, e recebeu a
rejeição de 53% dos eleitores.

Via Economia/O Globo