Por: Ricardo Daniel Treis | 7 anos atrás

Loop – 1

Não tem idéia que incomode mais do que aquela que não conseguimos lembrar sobre o que
era. Podia ser algo estúpido como “preciso comer mais gelatina”, mas o cérebro convence do contrário
quanto à relevância, e como você não lembra o que era, passa o resto do dia irritado.
Tenho um bloco de anotações que anda comigo embaixo do braço, outro no porta-luvas do
carro, mais um na escrivaninha de casa e outro na mesa do escritório. Não bastando esses utensílios,
ainda tenho um smartphone com tópicos no aplicativo Notepad e outro doc digital na nuvem, onde
preferencialmente anoto as coisas dada a possibilidade de conexão à Internet com um teclado.
Obsessão? Não, é auto-preservação. Se o mundo já incomoda o suficiente, o dia que passar a
ficar irritado comigo mesmo podem me enfiar uma mordaça e amarrar numa árvore.

Loop – 2

Conhecí um estudo interessante esta semana, trata-se do Efeito Zeigarnik. É de cunho
psicológico, atestou que nossa cabeça tem mais atração por informações quanto tarefas inacabadas
do que as realizadas. É meio que um mecanismo de defesa. Como prefiro o lado menos romântico das
coisas, ilustro por exemplo como sendo ele o que te acorda naquela madrugada de chuva com uma
fixação irrestível por botar o lixo pra fora.

Loop – 3

Quanto às crueldades da vida, uma que sempre constatei é que estamos nessa de finalizar uma
tarefa para poder, com liberdade, se entregar ao começo de outra. É o jeito como se vive, mas não vai
parar nunca?
Agora conjuguem essa constante de novas tarefas com Zeigarnik, e me digam se o ser humano
não é um auto-sabotador por natureza.